Está no forno um novo produto a ser entregue à sociedade. Sua finalidade principal é formar “quadros”, que em futuro próximo, substituirão com vantagem os integrantes do MST, do MTST e de outros movimentos de ocupação de prédios e terras distribuídos pelo país.
Se der certo pode até revelar líderes como o Rainha e o Bové.
Estimulados por especialistas na depredação de bens públicos ou privados e copiando o que aconteceu em São Paulo, embora em condições diferentes, estudantes adolescentes de Mato Grosso divertem-se em ocupar escolas públicas e acampar nelas por dias seguidos.
O verbo divertir não vai aqui gratuitamente. A julgar pelas notícias publicadas, algumas ocupações de prédios tem sido uma festa. Há relatos de consumo de bebidas
alcoólicas e drogas nas longas noites de “vigília”.
Não culpo totalmente os adolescentes pelas ocupações, pois faz parte dessa fase da vida desafiar as instituições. Desde a primeira infância fazemos isso.
Primeiro contestamos os pais e pouco a pouco, medimos a resistência deles aos atos que queremos praticar. Quanto maior o sucesso, mais ficamos desobedientes.
Depois transgredimos os valores da sociedade até o ponto de virarmos marginais se não formos contidos.
Os resultados de nossos experimentos vão, de alguma forma, definir o que seremos na idade adulta.
Na verdade os culpados por esses atos são os que cuidam, ou deveriam cuidar, desses adolescentes.
Primeiramente os pais em casa, depois professores nas escolas e o Estado, quando falham os dois primeiros.
Sim, porque quando pais e professores se omitem ou estimulam atitudes sociais deletérias e os jovens ficam incontroláveis o Estado precisa interferir para preservar a paz social.
Nessa fase de experimentações os adolescentes precisam sentir que há limites que não podem ser transpostos. Um deles é o respeito aos órgãos públicos.
Além disso, penso que quando impedem a atividade escolar, estão contra a maioria dos pais que querem seus filhos estudando e dos professores corretos, cientes do seu dever de ensinar.
Vou mais longe, embora não tenha estatísticas para comprovar: creio que a maioria dos alunos dessas escolas estão contra o movimento.
Provavelmente, não se manifestam com medo de serem ridicularizados pelos transgressores e para não passarem por “Coxinhas” ou “CDFs”.
Os adolescentes não tem condições de avaliar se o estado deve ou não admitir parcerias privadas na manutenção das escolas.
O manifesto escrito deles mostra que estão sendo abastecidos com dados falsos e retórica manjada da esquerda.
Sindicatos, associações de classe e movimentos ideológicos estão usando os alunos com visíveis interesses políticos.
A escola não é lugar de pregar ideologias ou formar movimentos de resistência.
Lá se deve ensinar as coisas básicas conforme o currículo de cada série e também o respeito às leis, sem as quais não é possível viver em sociedade.
Por último, chama a atenção o fato de adolescentes pernoitarem nas escolas, onde conforme notícias, há grande consumo de drogas.
Se os pais não conseguem impedi-los, mostram falta de autoridade; se permitem, expõe a riscos a prole que deveriam cuidar.
Passou da hora de chamar a Polícia.
RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor em Cuiabá.
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