"> MP denuncia missionária e mais cinco por ligação com facção – CanalMT

Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Reprodução

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou a missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, a mãe dela, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, e outras quatro pessoas por envolvimento com o Comando Vermelho e lavagem de dinheiro. A denúncia foi apresentada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá, em 11 de setembro.

 

Além de Rhavenna e Orminda, são alvos da acusação Renildo da Silva Rios, conhecido como “Velho”, “Velhote” e “Chapa”, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.

 

Segundo o Gaeco, Rhavenna, Renildo e Orminda teriam integrado um dos núcleos do Comando Vermelho entre janeiro de 2024 e julho de 2026. Os outros três denunciados são acusados de participar de um esquema de movimentação e ocultação de valores supostamente provenientes de atividades criminosas.

 

Conforme a investigação, Rhavenna e Orminda utilizavam a atuação em um grupo religioso denominado “Equipe de Evangelismo Resgatando Vidas” para realizar visitas a presídios. Segundo o Ministério Público, a atividade teria facilitado o contato entre integrantes da facção presos, membros soltos e foragidos, além do transporte de objetos e mensagens.

 

A denúncia cita diálogos, imagens extraídas de contas de armazenamento em nuvem e dados obtidos após autorização judicial para quebra de sigilo telemático. Para o GAECO, Rhavenna teria atuado na comunicação entre presos e integrantes da organização criminosa, no atendimento a pedidos de detentos e na movimentação de dinheiro.

 

O documento também menciona a proximidade dela com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso. Segundo a acusação, Rhavenna teria mantido um relacionamento com Jonas e recebido valores encaminhados por ele durante o período em que permaneceu foragido.

 

Ainda conforme o MP, Rhavenna teria viajado ao Rio de Janeiro e frequentado áreas dominadas pela facção, mantendo contato com pessoas apontadas como integrantes ou apoiadores do grupo criminoso. A denúncia também cita diálogos relacionados à fuga de Jonas, ocorrida em setembro de 2024.

 

Já Renildo da Silva Rios é apontado na denúncia como um dos conselheiros do Comando Vermelho em Mato Grosso e um dos fundadores da organização criminosa no Estado. Ele está preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) e possui 13 condenações, que somam mais de 76 anos de prisão.

 

O MP afirma que o núcleo familiar de Rhavenna teria realizado a lavagem de dinheiro atribuída a Renildo por meio de depósitos, transferências, aquisição de bens, pagamentos e recebimento de valores em espécie. Entre os benefícios citados estão joias, flores, um veículo e o pagamento de despesas familiares.

 

A denúncia relata ainda que valores em dinheiro eram guardados na residência de Rhuan e posteriormente entregues a Rhavenna. Em seguida, as quantias seriam divididas entre familiares ou depositadas em contas de terceiros, inclusive por meio de uma lotérica onde Anatany trabalhava.

 

Para o Gaeco, a divisão dos valores entre diferentes contas tinha como objetivo evitar bloqueios ou alertas bancários. O documento cita transferências de R$ 1 mil, R$ 1.240, R$ 250, R$ 4 mil, R$ 3.700 e R$ 5 mil, entre outras movimentações.

 

Também é mencionada uma conversa em que Rhavenna teria informado que uma cirurgia plástica seria paga por um preso. O MP afirma que imagens de maços de dinheiro encontrados no armazenamento em nuvem dela seriam compatíveis com os pagamentos do procedimento.

 

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, foram localizados R$ 10.900 em espécie com Orminda e R$ 1.534 com Rhavenna, conforme descrito na denúncia.

 

Participação dos familiares

 

Rhuan Barcelos da Conceição é apontado como responsável por guardar dinheiro em espécie e orientar a distribuição dos valores entre contas bancárias. Em diálogos, ele teria tratado de quantias de R$ 7 mil e R$ 10 mil, além de demonstrar preocupação com a possibilidade de movimentações financeiras provocarem investigações.

 

Anatany, conhecida como “Taninha”, é acusada de realizar depósitos nas contas indicadas pelos familiares e de controlar os limites de movimentação. Segundo o GAECO, a função dela em uma lotérica teria facilitado os depósitos e a transferência dos valores.

 

Já Lo Rhuama, chamada de “Lolo”, é acusada de receber e movimentar dinheiro, além de se beneficiar de valores e bens supostamente enviados por integrantes da facção. A denúncia cita pedidos de dinheiro, de um aparelho celular e até de um telhado novo para a residência dela.

 

Ao final, o Ministério Público denunciou Rhavenna, Renildo e Orminda pelos crimes de integração de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Rhuan, Anatany e Lo Rhuama foram denunciados por lavagem de dinheiro.

 

Quanto a Nivaldo de Almeida, pai de Rhavenna, citado na investigação, o órgão afirmou que não houve denúncia em razão da morte dele, ocorrida em 5 de setembro de 2026.


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