Manifestações pró-governo realizadas em várias cidades do Irã atraíram milhares de participantes nesta quarta-feira (3), após seis dias de protestos raros de opositores ao regime que pegaram a liderança do país de surpresa.
A televisão estatal iraniana transmitiu imagens ao vivo de passeatas em Kermanshah, Ilam e Gorgan nas quais os manifestantes portavam bandeiras do Irã e fotos do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei.
O maior desafio à ordem estabelecida do Irã em quase uma década continuava na noite de terça-feira, e postagens e vídeos em redes sociais mostraram batalhões de choque atuando em várias cidades.
Horas mais cedo Khamenei havia acusado os inimigos da nação de fomentarem os distúrbios.
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Mulher canta slogans de apoio ao governo em manifestação no Irã, nesta quinta-feira (3) (Foto: Tasnim News Agency/ Reuters)
Nesta quarta-feira, os manifestantes pró-governo expressaram seu apoio a Khamenei, bradando: “O sangue em nossas veias é um presente ao nosso líder” e “Não abandonaremos nosso líder”.
Os protestos, que começaram devido aos problemas econômicos, adquiriram uma dimensão política rara, e um número crescente de jovens está pedindo a renúncia de Khamenei.
Essas são as maiores manifestações desde os tumultos que se seguiram à questionada reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad em 2009.
Ao menos 21 pessoas morreram durante os protestos iniciados na semana passada, incluindo dois membros das forças de segurança.
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Pessoas marcham em apoio ao governo iraniano nesta quarta-feira (3) (Foto: Tasnim News Agency/ Reuters)
“Os arruaceiros sediciosos deveriam ser executados”, bradavam os participantes das marchas nesta quarta-feira, e cartazes que eles levavam diziam que “mãos ocultas” hostis guiadas pelos Estados Unidos, Israel e o Reino Unido deveriam ser decepadas.
Na tentativa de controlar o fluxo de informação e convocações de passeatas antigoverno, as autoridades de Teerã restringiram o acesso ao aplicativo de mensagens Telegram e ao Instagram, de propriedade do Facebook.
Os preços altos, a suposta corrupção e a má administração estão insuflando a revolta. O presidente Hassan Rouhani defendeu um acordo fechado com potências mundiais em 2015 para conter o programa nuclear iraniano em troca da suspensão da maioria das sanções internacionais, mas não conseguiu cumprir as promessas de prosperidade no país, onde o desemprego chegou a 28,8% no ano passado.