Com a Policlínica do Planalto lotada, o único médico de plantão na noite desta segunda-feira (5) informou aos pacientes que não poderia atendê-los por falta de condições estruturais, o que gerou indignação em que estava aguardando há horas.
Segundo relatou o médico a única maca já estava ocupada, assim como 4 cadeiras de descanso, além de todos os espaços disponíveis para medicação ou outros procedimentos pós-consulta.
“Infelizmente não tem como a gente atender vocês, porque, se atender e precisar de alguma medicação, não tem espaço”, argumentou.
Disse ainda que a prioridade seriam os pacientes já acompanhados, citando um homem infartado, uma criança com intoxicação por excesso de medicação ministrada em casa, um “senhorzinho” que estava com falta de ar intensa e outros dois pacientes sedados.
“Não é questão de não querer atender vocês, porque quem toma conta de vocês sou eu”, insistiu o médico.
Um dos pacientes reagiu. “O povo é que sofre, sai de casa para vir aqui e volta sem atendimento”.
Um outro paciente registrou que a coordenação sabia da situação desde 16 horas e não avisou. “O médico que veio colocar a cara a tapa”, comentou.
A presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Maria de Fátima, avalia que o profissional não tinha alternativa a não ser dispensar e informar sobre outras unidades mais próximas que poderiam ser procuradas.
“O médico é o responsável pela segurança no atendimento aos pacientes. Poderia acontecer alguma coisa e a responsabilidade seria de quem? Do médico”, ressalta a representante da categoria. “Na urgência, a gente atende até no chão, mas não é a situação ideal, claro”.
Ressalta ainda que as UPAs têm estrutura mais nova e as policlínicas são mais precárias nesse sentido. No entanto, “o problema essencial, ou seja, a desproporcionalidade entre o número de equipes e de pacientes a gente encontra em toda a rede”.
O vereador Abilio Brunini (PSC), que percorreu toda a rede desde o início do ano e nesta semana irá apresentar relatório do que constatou, afirma que de fato na Policlínica do Planalto são poucas macas e cadeiras e que, no plantão, sempre tem 2 clínicos gerais e 1 pediatra, enquanto na UPA da Morada do Ouro, que é a mais próxima dali, são 5 médicos, ou seja, 2 a mais.
O parlamentar relata que tem ocorrido muito isso, ou seja, médicos em momento de estresse e muita pressão encerrarem o atendimento.
“É uma situação complicada e avalio que a questão da saúde na capital, junto com o trabalho, sejam os dois maiores problemas locais”, comenta Abilio.
O secretário adjunto de Saúde de Cuiabá, Milton Correa, destaca que esta gestão herdou “uma saúde defasada”, e que, para amenizar o problema específico da Policlínica do Planalto, pediu um estudo de viabilidade para aumentar a equipe médica.
Afirma que ficou sabendo da situação ontem à noite e que houve força-tarefa para encaminhar mais enfermeiros e técnicos ao local. Diz ainda que por conta disso houve super lotação na UPA da Morada do Ouro.
Admite a falta de macas mas desconhece que estejam faltando também cadeiras na unidade do Planalto. “Eu mesmo levei lá 80 assentos há cerca de 15 dias, com outros equipamentos, como suporte de soro e armários”.