O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) detém uma personalidade violente a ponto de ameaçar empresários que mantinham contratos com o governo do Estado e que ofereciam resistência em pagar propina. É o que foi dito ao Ministério Público Estadual (MPE) pelo ex-secretário de Estado Pedro Nadaf.
A informação consta na denúncia formulada pela promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco relativa a quinta fase da Operação Sodoma da Polícia Civil.
Apesar disso, não foi detalhado como se deu essa ameaça e tampouco qual o valor exigido a título de propina e o nome do empresário ameaçado pelo governador. Até o momento, as investigações da Polícia Civil não trouxeram nenhum indício de algum frigorífico no pagamento de vantagem indevida a agentes políticos de Mato Grosso para manter em vigência contratos com o Estado.
Nadaf fez a declaração para revelar que temia pela sua vida e a de seus familiares após romper um “pacto de silêncio” firmado pelos membros da organização criminosa chefiada pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB).
Enquanto permaneceu na cadeia, Nadaf disse que se sentiu intimidado pelo ex-governador Silval Barbosa. O peemedebista cobrou que, numa eventual delação premiada, fosse avisado com antecedência.
Ainda dentro do pacto de silêncio, o ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto, revelou que foi orientado pelo ex-secretário de Fazenda Marcel de Cursi, pois não “valia a pena” firmar delação premiada e seria melhor “agüentar tudo calado”.
Ainda era comum nas conversas das organizações criminosas o ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa, Silvio César Correa de Araújo, proferir frases como “homem de boca mole vira comida de formiga”, “quem tem cú, tem medo” e “quem tem boca fechada não entra formiga”