Argumentando a existência de um golpe político em curso no Brasil que teria a conivência de PSDB e PMDB, o Partido dos Trabalhadores (PT), anunciou em nota oficial que não vai apoiar nenhum candidato a prefeito de Cuiabá nesta disputa de segundo turno na qual se enfrentam Wilson Santos (PSDB) e Emanuel Pinheiro (PMDB). O “golpe” ao qual o PT se refere é o impeachment da presidente da República Dilma Rousseff (PT) por crime de responsabilidade, o que efetivou Michel Temer (PMDB) até dezembro de 2018 à frente do governo federal.
Nas eleições deste ano, o PT apoiou em Cuiabá a candidatura de Julier Sebastião da Silva (PDT), inclusive indicando a candidata a vice-prefeita Jusci Ribeiro na composição da chapa. Na disputa pela Câmara Municipal de Cuiabá, fracassou e perdeu as duas vagas que tinha com Arilson da Silva e Allan Kardec, ambos não reeleitos. O PCdoB também se manifestou contra qualquer aliança no segundo turno em Cuiabá.
O PDT, que liderou a chapa majoritária, deve manifestar apoio ao peemedebista Emanuel Pinheiro numa articulação liderada pelo deputado estadual Zeca Viana, que é presidente do diretório estadual do partido.
Nacionalmente, o PT é o partido que mais se enfraqueceu. Alvo das investigações da Polícia Federal pelos desvios bilionários da Petrobrás revelado na Operação Lava Jato, a principal liderança petista, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, virou réu em processos criminais por obstrução à Justiça, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
A candidata derrota Serys Slhessarenko (PRB) anuncia nesta segunda-feira (10) quem vai apoiar no segundo turno. O candidato Procurador Mauro (PSOL) gravou um vídeo orientando seus eleitores a votarem nulo.
Íntegra da nota:
O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Cuiabá, em reunião ampliada nesta sexta-feira (07.10), para avaliar a eleição municipal de 2016 e deliberar sobre a posição do partido em relação ao segundo turno em Cuiabá, faz as seguintes ponderações.
– Considerando a participação do PT no bloco de esquerda composto pelo PCdoB e PDT, que sustentou no Primeiro Turno a candidatura de Julier Sebastião da Silva (PDT) a prefeito e Jusci Ribeiro (PT) a vice.
– Considerando a chegada no segundo turno dos candidatos Emanuel Pinheiro (PMDB) e Wilson Santos (PSDB), cujos partidos lideraram o golpe de Estado contra o mandato constitucional da presidenta eleita Dilma Rousseff (PT).
– Considerando que os dois candidatos já governaram juntos Cuiabá em 2005 e participam dos grupos que administram a cidade há 20 anos. (Na atual eleição as duas candidaturas apresentam o mesmo programa de má gestão e exclusão, vivenciado nos últimos anos pela população da Capital).
– Considerando que os agrupamentos políticos e econômicos que sustentam as candidaturas do PMDB e do PSDB articularam e apoiaram o golpe contra a presidenta.
– Considerando que os dois grupos políticos que disputam este segundo turno estão alinhados no apoio ao governo golpista de Temer, que tem promovido uma pauta de intensos ataques aos direitos sociais e trabalhistas, duramente conquistados pelo povo brasileiro.
– Considerando a necessidade de reconstrução do Projeto Democrático e Popular, fortalecendo à unidade dos partidos de esquerda, visando as disputas de projeto na sociedade Cuiabana e, principalmente, a reconquista da confiança da maioria do povo.
– Considerando a necessidade de fortalecermos nossos laços históricos com a classe trabalhadora, com uma intensa mobilização que barre os retrocessos promovidos pelos golpistas e que seja capaz de retomar num futuro próximo a agenda do desenvolvimento com justiça social.
O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Cuiabá decidiu não apoiar nenhum dos candidatos e liberar a militância, filiados e filiadas, para exercerem seus votos de acordo com suas consciências. O PT ressalta, porém, ter a compreensão que a abstenção e os votos não válidos são um legítimo direito de resistência frente ao golpe, suas representações e o resultado eleitoral conservador advindo deste processo.
Com tal posicionamento, seguiremos denunciando o vergonhoso golpe de 2016, bem como mobilizando os trabalhadores e segmentos democráticos de nossa cidade a resistir à regressão de direitos, visando a retomada do protagonismo popular.
Cuiabá, 07 de outubro de 2016.
Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Cuiabá.