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CPI ouvirá Silval em data a ser definida

Carlos Martins

O deputado estadual Wilson Santos (PSDB), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Sonegação e Renúncia Fiscal, confirmou que o depoimento do ex-governador Silval Barbosa está mantido e ele será ouvido pelos membros da CPI “em data a ser definida”. A oitiva de Silval estava marcada para esta quinta-feira, 10 de outubro.

Mas na semana passada foi aprovado um requerimento suspendendo o depoimento.“O que os deputados alegaram é que nós precisamos ter acesso à delação que ele fez junto ao Supremo Tribunal Federal, e estudarmos a delação dele para, em cima da delação, fazermos os questionamentos. O Silval foi comunicado e aceitou, não colocou nenhum empecilho, estava tudo marcado para quinta-feira [10]”, explicou Wilson Santos, em entrevista ao Programa Resumo do Dia, apresentado por Roberto França na TV Brasil Oeste.

Na última quinta-feira (3), aproveitando a ausência do deputado Wilson Santos, que fora convocado para uma reunião no gabinete do presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho, membros da CPI abriram a sessão ordinária e apresentaram requerimentos para suspender a oitiva de Silval. Um dos requerimentos, do deputado Carlos Avalone (PSDB), pedia a desconvocação de Silval e o do deputado Nininho pedia o adiamento. “Queriam primeiro cancelar a vinda dele de uma forma definitiva. Eu argumentei que isso era impossível, que a sociedade não ia aceitar esse tipo de comportamento, não tem mais espaço pra isso, e eles acabaram aceitando, então, manter a convocação e redefinir uma nova data. Então, isso é o que acabou sendo aprovado e eu lamento, porque eu fui o autor desta convocação, que foi aprovada por unanimidade dos colegas deputados”, disse o presidente da CPI, Wilson Santos.

A expectativa da presença de Silval Barbosa na CPI da Sonegação e Renúncia Fiscal é grande, já que alguns dos delatados pelo ex-governador envolvem membros da Comissão. Entre os apontados na delação estão os deputados Nininho e Calos Avalone e o ex-deputado José Riva, pai da deputada Janaína Riva.

Em sua delação, Silval disse que teria recebido propina de R$ 7 milhões para que a Morro da Mesa Concessionária de Rodovias, de propriedade da família do deputado NIninho, assumisse o pedágio de um trecho de 122 quilômetros da MT-130 entre Rondonópolis e Primavera do Leste. Na delação, Silval apontou a participação de Nininho, que seria o responsável pela negociata, juntamente com um representante da Morro da Mesa.

Outra delação de Silval envolve a Construtora Três Irmãos, da família do deputado Carlos Avalone, que é vice-presidente da CPI. Ele e o irmão Marcelo Avalone teriam entregue cerca de R$ 2 milhões em cheques a Silval a título de “retorno” pelos contratos obtidos no programa de pavimentação de rodovias MT Integrado. Segundo Silval, alguns dos cheques, no valor de R$ 800 mil, não tinham fundos e não foram quitados posteriormente.

Avalone nega as acusações e diz que este assunto deve ser resolvido na Justiça. Para ele, a ida de Silval na CPI até pode favorecer os delatados, porque, acredita, tudo o que ele tinha a dizer já foi relatado e está gravado em áudio e vídeo. Seria a oportunidade para os delatados questionarem Silval diretamente e dizer: “você estava enganado”. Ele também não acredita que a presença de Silval vá “constranger” os citados na delação, uma vez que “todos já foram extremamente constrangidos” quando foram citados.(F0lhaMax)


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