(Simon Dawson/AFP)

Irã está por trás de ataque na Arábia Saudita, diz Boris Johnson

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O Reino Unido se juntou aos Estados Unidos e à Arábia Saudita e culpou o Irã pelo ataque às instalações de petróleo da companhia saudita Aramco nesta segunda-feira, 23. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, não descartou uma resposta militar conjunta com americanos e aliados europeus.

Os ataques de 14 de setembro contra as refinarias na Arábia Saudita reduziram inicialmente a produção de petróleo saudita pela metade. O movimento houthi do Iêmen, alinhado ao Irã, assumiu a responsabilidade, mas Washington e Riad culpam Teerã pelo ocorrido

“O Reino Unido está atribuindo responsabilidade com um grau muito alto de probabilidade ao Irã pelos ataques à Aramco. Acreditamos que é muito provável que o Irã tenha sido responsável”, disse Johnson a repórteres no avião durante viagem a Nova York para participar da Assembleia-Geral da ONU.

“Trabalharemos com nossos amigos americanos e europeus na construção de uma resposta que tente diminuir as tensões na região do Golfo”, acrescentou.

Uma autoridade do governo do Reino Unido disse que a reivindicação de responsabilidade dos houthis era “implausível”, diante da escala, sofisticação e alcance do ataque.

Questionado se o Reino Unido descartava uma ação militar, Johnson disse que estava observando de perto uma proposta dos Estados Unidos de fazer mais para ajudar a defender a Arábia Saudita.

“Claramente, se formos solicitados, seja pelos sauditas ou pelos americanos, a desempenhar um papel, consideraremos de que maneira podemos ser úteis”, afirmou.

Johnson disse que discutirá as ações do Irã na região com o presidente iraniano, Hassan Rouhani, durante a reunião da ONU, além de pressionar pela libertação de vários cidadãos iranianos que, segundo ele, estão sendo mantidos presos de forma ilegal e injusta.

‘Não esperem avanço sobre Brexit’

Johnson alertou também nesta segunda-feira que não haverá nenhum avanço nas negociações sobre a separação britânica da União Europeia nas conversas que terá com líderes europeus em Nova York, uma vez que as diferenças permanecem.

Três anos depois de os britânicos terem votado para sair da UE, as esperanças de um avanço cresceram na semana passada, quando Johnson disse que a forma de um pacto para a desfiliação estava emergindo e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que um acordo é possível.

Mas os dois lados divergem sobre o desejo do Reino Unido de retirar a salvaguarda para impedir uma fronteira dura entre Irlanda e Irlanda do Norte do acordo de saída firmado pela antecessora de Johnson, Theresa May. Diplomatas do bloco dizem que Londres ainda não propôs nenhuma alternativa aceitável.

Johnson, que prometeu concretizar o Brexit em 31 de outubro com ou sem um acordo, se encontrará com líderes da UE nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU, incluindo a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o premiê da Irlanda, Leo Varadkar.

Ele também debaterá os passos para um acordo do Brexit com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

“Alerto todos vocês a não pensarem que este será o momento”, disse Johnson aos repórteres no avião rumo aos Estados Unidos. “Não quero elevar excessivamente a crença de que haverá um avanço em Nova York”.

Ele disse que, embora “bastante” progresso tenha sido feito desde que ele tomou posse em julho, já que agora os líderes da UE reconhecem que o Acordo de Saída firmado por sua precursora precisa ser alterado, “está claro que ainda existem lacunas e dificuldades”.

Johnson quer retirar o chamado backstop, uma apólice de seguro concebida para evitar uma fronteira dura na ilha da Irlanda fazendo o Reino Unido seguir as regras do bloco no comércio, na ajuda estatal, no trabalho e nos padrões ambientais para que não sejam necessárias verificações.

A Irlanda é crucial para qualquer solução para o Brexit. Johnson não conseguirá obter aprovação parlamentar se o backstop não for descartado ou emendado, mas a Irlanda e a UE não estão dispostas a assinar um acordo sem uma solução para a fronteira.

Na semana passada, o Reino Unido compartilhou documentos legais com Bruxelas nos quais delineou suas ideias para lidar com o tema polarizador do backstop, mas estas não foram as propostas formais legais que o bloco havia solicitado.

(Com Reuters)


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