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Em CPI Doleiro diz que Taques recebeu propina para campanha

Diego Frederci

A deputada estadual Janaína Riva (MDB) tentou explicar a manobra realizada pelos parlamentares da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT) na última quinta-feira (19), quando um requerimento de autoria dos deputados estaduais que compõe a CPI dos Incentivos Fiscais tornou secreta a sessão que tomou o depoimento do doleiro Lúcio Funaro. Ela é membro titular da CPI ao lado dos também parlamentares Ondanir Bortolini, o “Nininho” (PSD), Carlos Avalone (PSDB), Valmir Moretto (PRB), e Wilson Santos (PSDB).

A parlamentar explicou que o objetivo de realizar a sessão secreta é “evitar a espetacularização” das investigações e não expor “aliados de quem quer que seja o político”. “Eu já tinha dito que a CPI não pode ser um espetáculo. A gente já teve muita CPI aqui que de espetáculo teve muito, e de resultado prático não teve nenhum”, justificou a parlamentar.

Pouco antes de dizer que a CPI não deve expor “aliados de quem quer que seja o político”, porém, Janaína Riva expôs o ex-governador Pedro Taques (PSDB) ao dizer que, em depoimento à CPI, Lúcio Funaro revelou que tucano cobrava propina para conceder incentivos fiscais – como seu antecessor, Silval Barbosa.

“Na CPI, por exemplo, eu perguntei para o doleiro Lúcio Funaro se além do Silval Barbosa o Pedro Taques também tinha envolvimento de recurso financeiro de propina pra campanha em troca de incentivo fiscal. Ele disse que sim. Eu não queria expor isso publicamente até porque para isso a gente precisa pedir compartilhamento de prova para  agente poder usar isso. Acho que a gente não deve expor ninguém”, expôs Janaína Riva.

Na sessão da última quinta-feira o único membro titular da CPI que se mostrou contra a sessão secreta foi o deputado estadual Wilson Santos.

PROPINA DA JBS

Em delação premiada firmada junto a Procuradoria Geral da República, o ex-governador Silval Barbosa alega que intermediou uma doação da JBS para a campanha de Pedro Taques em 2014 por meio de “caixa 2”. O apoio prestado por Silval tinha como objetivo que o tucano não investigasse atos de sua gestão caso chegasse ao Palácio Paiaguas.

Silval revelou que acertou com os donos da JBS uma propina de R$ 30 milhões para conceder incentivos fiscais ao grupo, dono de diversos frigoríficos no Estado. As propinas seriam pagas em parcelas anuais de R$ 10 milhões.

Em 2014, Silval tinha um crédito de propina, no valor de R$ 12 milhões, com o grupo JBS e para o pagamento desse crédito foi feito um acordo durante a campanha. Esse acordo teria beneficiado o atual governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), que teria recebido R$ 4 milhões.

FUNARO

Lúcio Funaro deu um depoimento à CPI do BNDES no dia 28 de agosto de 2019 na Câmara dos Deputados e contou que Fernando Mendonça era o “operador” de Joesley Batista, um dos proprietário da JBS, em Mato Grosso, nas fraudes relativas ao ICMS. De acordo com as investigações R$ 70 milhões deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos do Estado, pela JBS, num esquema que envolveu o ex-governador Silval Barbosa

Fernando Mendonça França doou R$ 230 mil a campanha vitoriosa do então candidato ao Senado nas eleições de 2010, Pedro Taques, que em 2014 deixaria o parlamento para disputar o Governo de Mato Grosso. Ele saiu vencedor da disputa ainda no 1º turno.

O ex-governador, inclusive, chegou a empregar uma filha de Fernando Mendonça França em seu gabinete quando ainda era senador da República.

Ariane Victor de Matos Mendonça é sócia do pai na Global Participações, empresa investigada no âmbito da operação “Ararath”.(FolhaMax)


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