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Procuradores em MT alertam que escolha de Bolsonaro pode “abafar” Ararath

FolhaMax

O chefe do Ministério Público Federal em Mato Grosso (MPF), Gustavo Nogami, revelou que pretende “recriar” a força-tarefa da operação Ararath – responsável pela prisão do ex-Secretário de Estado de Fazenda (Sefaz-MT), Eder de Moraes, do ex-superintendente do Bic Banco, Luiz Carlos Cuzziol, e outros. A Ararath investiga crimes contra o sistema financeiro da ordem de R$ 500 milhões.

Nogami deu a declaração a jornalistas na tarde desta segunda-feira (9) durante um ato da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) contra a nomeação do Procurador-Geral da República (PGR), Augusto Aras, pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), na última quinta-feira (5). O evento, que acontece em Cuiabá, também está previsto em outras unidades federativas.

De acordo com o Chefe do MPF em Mato Grosso, há a intenção de alocar mais recursos (financeiros e humanos) na operação Ararath – que chegou a ser uma força tarefa, mas que hoje conta apenas com 2 procuradores da República. Quanto maior o número de membros do MPF, além de servidores públicos, maior a cobertura pelos direitos dos cidadãos, e também mais “velocidade” à própria Justiça, que precisa ser provocada por órgãos como o Ministério Público.

“Um material farto está sendo enviado do Supremo Tribunal Federal e nós precisamos analisar e adotar as providências necessárias. Mas é muito documento, muitas informações. E para isso nós precisaríamos de uma força tarefa. Nós já havíamos planejado essa força tarefa com vários procuradores do Estado mas nós precisamos de estrutura, e de recursos, e isso quem vai poder fornecer é o Procurador-Geral da República”, ponderou ele.

A eleição do novo Procurador-Geral da República, entretanto, pode representar um banho de água fria nas intenções do MPF em Mato Grosso. O ato que ocorre nesta segunda-feira pela ANPR denuncia supostas conversas de bastidores entre Augusto Aras e o presidente Jair Bolsonaro. Membros do órgão apontam que Aras já sinalizou que pretende “desidratar” as forças tarefas do órgão ministerial – ou seja, com a diminuição de procuradores, recursos e servidores que atuam no caso, necessariamente, também diminuíram as denúncias.

“Infelizmente, se ele for contrário a esse tipo de atuação, nós não conseguiremos retomar os trabalhos na dimensão que nós precisariamos”, alertou Gustavo Nogami.

A queixa dos membros do MPF também reside no fato de que Jair Bolsonaro não escolheu nenhum dos nomes da lista tríplice elaborada pela eleição do órgão – formada pelos procuradores federais Mário Luiz Bonsaglia, Luiza Cristina Frischeisen e Blal Dalloul.


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