Geraldo Magela/Agência Senado

Deputado cobra investigação de venda de mandato por Wyllys

GD

Em janeiro, assim que o deputado reeleito Jean Wyllys (Psol-RJ) anunciou que renunciaria ao mandato e deixaria o País em função de ameaças, o seu colega, senador e deputado eleito José Medeiros (Podemos-MT), encaminhou à Polícia Federal um ofício pedindo abertura de investigação por suspeita de venda de mandato.

Para Medeiros, é estranha a coincidência da renúncia a um mandato tão disputado seguido pela substituição pelo “marido de um ativista internacional”, nas palavras dele. Assumiu a vaga de Wyllys o deputado David Miranda (Psol-RJ), marido do jornalista Glenn Greenwald, fundandor do The Intercept Brasil.

Após o vazamento das supostas conversas entre Moro e Dallagnol, Medeiros enviou um segundo ofício para a Polícia Federal, alegando que os fatos não pareciam “mera coincidência do destino”, principalmente após o site editado por Greenwald “ter publicado mensagens da Operação Lava Jato pretensamente obtidas através de um hacker”, diz, no ofício.

Ao R7 Planalto, a Polícia Federal informou que não abriu investigações nesse sentido porque qualquer instauração de investigação sobre questões eleitorais depende de requisição da Justiça eleitoral, o que ainda não ocorreu. Já a Justiça Eleitoral informou que não analisa nenhum processo nesse sentido. Diante da situação, Medeiros disse que estuda recorrer ao Ministério Público Eleitoral.

Procurado, o deputado David Miranda não respondeu à reportagem para comentar as suspeitas levantadas pelo deputado Medeiros.

Leia abaixo a entrevista com o deputado José Medeiros: 

A PF diz que ainda não começou a investigar a suposta venda de mandato de Jean Wyllys para David Miranda, denunciada pelo senhor em ofício em janeiro. O senhor tem alguma informação sobre o andamento? Se está ou não sendo investigado? 

Se está nesse pé é de se lamentar a inércia porque eu pedi em ofício primeiramente em janeiro. Eu concordo até que questões eleitorais durante as eleições devem ser requisitadas à Justiça Eleitoral para se prejudique esse ou aquele candidato. Mas esse negócio foi depois de passada a disputa eleitoral, e o que salta aos olhos, e tomara que essa informação não proceda, é que a Polícia Federal esteja inerte. Diante disso vou fazer pedido ao Ministério Público Eleitoral para que possa provocar a PF para que abra a investigação.

Já em janeiro pedi à PF para analisar junto ao COAF [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] para ver se havia movimentação estranha, ver a movimentação financeira do rapaz e reiterei recentemente. Não é possível que não estejam investigando. Espero que estejam investigando, porque é grave.

O que levantou no senhor a suspeita de venda de mandato? 

Aqui todos nós somos ameaçados e com dureza. Eu tive filhos ameaçados, esposa ameaçada. O embate político do momento no Brasil tem sido muito grande. O Jean [Wyllys] tinha uma narrativa estranha porque ele era dos mais virulentos em atacar. O grupo dele falava em colocar fogo no País. E nem eu, nem Magno Malta, os que estavam mais à frente, falamos em deixar o País. Inclusive as ameaças que ele recebeu foram as mesmas que Magno Malta recebeu. Inclusive um dos caras que ameaçou ele, ameaçou Magno Malta. Mas cada um faz a sua análise de risco.

Mas aí não tomar posse em mandato que as pessoas se matam para se eleger não colou. E o mandato caiu justamente no colo de uma pessoa que é casada com um ativista internacional da área. Que tinha todas aquelas conversas de que teria recebido 50 milhões de dólares ou reais para montar o Intercept. Diante de todas essas coisas, isso precisa ser averiguado. Porque se você tem de repente pessoas na política nesse nível, isso precisa ser visto. Em matéria de coisa pública não tem detergente melhor do que a luz sol. Porque se não fica aquela coisa toda solta. Pode ser cacoete de policial, mas trabalhei 23 anos na polícia e para nós coincidências são raras.

O senhor coletou alguma prova, indício, documento que tenha encaminhado junto com os ofícios? 

Narrei esses fatos todos, a linha do tempo para que a polícia pudesse investigar e acho estranho que não se faça isso. As coisas que aconteceram com quebra de sigilo, talvez as autoridades estejam muito na inércia e não atentos aos riscos que o País corre. Se a gente não começar daqui a pouco teremos organismos internacionais e outros países influenciando o parlamento brasileiro.

Os financiamentos que o senhor menciona, para montagem do Intercept e eventual compra de mandato, viriam de onde? 

Vou dar um exemplo no Brasil que é a defesa do meio ambiente. As trades internacionais que negociam todas as nossas commodities fizeram um documento que diz que não comprarão mais soja em áreas onde tenha sido feito desmatamento, documento maravilhoso do ponte de vista estético. Pano de fundo: as trades estão oferecendo milhões de dólares para não comprar a soja brasileira. Ou para manter a compra no que já está, no volume atual.

Para que o Brasil não aumente a sua produção. Porque não conseguem competir com o Brasil. Isso acontece, e todos compramos a ideia quando lemos na questão do meio ambiente. Parece teoria da conspiração, mas temos os dados da Aprosoja do Mato Grosso que eles têm os números de quanto a Europa está pagando para que as trades façam isso. Se acontece isso nesse meio, quantos outros interesses internacionais podem estar aqui? O grande espião? Não sei. Fui  motivo de chacota, mas quero saber se esse menino veio para cá naturalmente, se ele é um agente a serviço do Brasil, um parlamentar a serviço do Brasil, ou se ele tem interesses do marido dele, quem ele representa? Não sei. As coisas precisam ser vistas. Estamo falando de coisas possíveis.

O Brasil passou a ser um trader importante na geopolitica e geoeconomia do mundo. E quando você passa a ser importante passa a ser mais visado. Se eu amanhã ganhar na megasena tenho que tomar outros cuidados.


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