Viva João Batista!

No mês Junho, em todo Brasil, sobretudo no Nordeste, intensificam-se as festividades religiosas e culturais em torno da ínclita figura de João Batista. João Batista é o único santo cujo nascimento é celebrado com festa dessa natureza. A riquíssima tradição da Igreja comemora a festa dos santos no dia da sua morte, isto é, da sua páscoa eterna. Mas o nascimento de João Batista é um acontecimento sagrado para nossa Igreja e para a humanidade.

É por isso, que a  festa do seu nascimento é a festa do povo! A  religiosidade popular é uma incomparável riqueza na alma da nossa gente! Na piedade popular, s. João é celebrado com procissões, levantamento de mastro, lavagem da imagem do santo na água,  buscapé, fogueiras, quadrilhas dançantes, siriri, cururú e muito folclore e descontração! É alegria do povo, sobretudo dos mais simples e humildes.

Diz o evangelho: “Os vizinhos e parentes  ouviram dizer como o senhor tinha sido misericordioso para com Isabel e se alegraram com ela” (Lc 1, 58). A  grandeza de João Batista está no fato de que ele  apareceu, milagrosamente, como ponto de encontro entre o antigo e novo testamento.

Representando  o último dos profetas do  antigo testamento, nasce de Pais idosos: zacarias e Isabel. O seu nascimento, através de uma anciã estéril, contrariando as leis da natureza e da ciência,  que exaltar a misericórdia  em favor de seus Pais. Pois, na bíblia, a esterilidade era uma desonra, humilhação e até castigo! Deus foi infinitamente misericordioso porque Isabel, pelo fato de não ter gerado filho até aquela idade, era discriminada e, consequentemente, marginalizada e excluída. Por isso, tiveram que ir morar na região montanhosa, lugar de muitas dificuldades, mas, também, da manifestação de Deus. Porquanto, na teologia  bíblica, a montanha é o lugar das grandes manifestações (teofanias) de Deus em favor da humanidade.

Portanto, ao celebrar a natividade de João Batista, estamos celebrando a “infinita misericórdia de Deus”. Pois esse é o significado do nome “João”. O nascimento do precursor de Jesus foi cercado de muito mistério. O Pai de João não acreditou nas promessas de Deus, anunciado pelo anjo Gabriel e fica mudo (Lc 1,20).  A incredulidade emudeceu Zacarias. É como se o anjo dissesse: “fique quieto, Zacarias, para não atrapalhar o projeto de Deus”.

Quando, porém, nasce João, se solta a língua de Zacarias, porque nasce àquele que é a “ voz”.  Assim a esterilidade se torna fecundidade e a mudez dá lugar à exuberância profética! Com efeito, quando João anunciava a vinda do Messias, perguntaram-lhe: quem és tu? (Jo 1,19). E ele respondeu: eu sou a voz que clama no deserto (Jo 1,19). A expressão “a voz” está apontando para Jesus que é, desde o princípio,  a palavra eterna do Pai.

João foi declarado profeta ainda nas entranhas da sua mãe porque anunciou a vinda do verbo divino (palavra) que se encarnou na humanidade. Foi escolhido para preparar a achegada daquele que faria a diferença no mundo, o Messias Jesus.

Temos a missão, hoje, de seguir o caminho preparado por João Batista, de acolher Jesus, o salvador, e de testemunhá-lo como testemunhou João.

Que possamos nos alegrar com o nascimento de João Batista, porque ele revela a misericórdia de Deus. Que a exemplo de João Batista, possamos resgatar a missão recebida no nosso batismo: ser uma voz que clama nos desertos dos nossos tempos, denunciando as injustiças e anunciando um tempo novo, cujas relações devem ser pautadas no amor, na justiça, na partilha, na solidariedade e no respeito à vida, como Deus quer e espera de todos os seus filhos e filhas!

PADRE DEUSDÉDIT ALMEIDA é é sacerdote diocesano e Pároco da Paróquia coração Imaculado de Maria.


O que achou desta matéria? Dê sua nota!:

0 votes, 0 avg. rating

Compartilhar:

Escreva um comentário