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PF não aponta participação de Taques e culpa 2 ex-secretários por grampos em MT

FolhaMax

Um relatório produzido pela Polícia Federal em julho de 2018 nas investigações dos grampos telefônicos clandestinos, esquema conhecido como “Grampolândia Pantaneira”, foi inconclusivo sobre a participação, ou não, do ex-governador Pedro Taques (PSDB). Assinado pelo delegado André Borges, o documento informa que naquele momento não foi encontrada nenhuma prova contra o então governador, mas também não descartou um possível envolvimento do gestor com o avançar das investigações.

O relatório foi divulgado somente agora e Taques comentou sobre o assunto pela primeira vez, em entrevista à TV Centro América, afiliada da Rede Globo, nesta terça-feira. Na época em que o documento foi produzido, Pedro Taques ainda era governador de Mato Grosso e a investigação se encontrava no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sem qualquer avanço além das diligências realizadas pela Polícia Civil de Mato Grosso.

De acordo com a emissora, o relatório diz que a investigação ainda não havia encontrado prova robusta que pudesse confirmar a participação de Pedro Taques. Apesar disso, a PF também afirma que ainda não era possível excluir a hipótese de que o tucano tenha participado do esquema de grampos ilegais que foi responsável pela demissão de vários secretários do primeiro escalão de Taques, incluindo seu primo, Paulo Taques, então chefe da Casa Civil.

“A exploração preliminar do material contido nos diversos inquéritos policiais encaminhados à Polícia Federal, dentre eles oitivas realizadas e as demais diligências feitas no curso da investigação não apresenta até o presente momento uma prova indiciária robusta, que possa confirmar a hipótese criminal que tenha por fundamento eventual participação do governador do Estado de Mato Grosso, Sr Pedro Taques, nas infrações penais apuradas, apesar disso a Polícia Federal não pode excluir, sem dúvidas, que Pedro taques não patrocinou ou tinha aquiescência do esquema do interceptações de terceiros em desacordo com disposição legal ou regulamentar”, diz o relatório.

O documento da Polícia Federal mantém as suspeitas de que o coronel da Polícia Militar, Evandro Lesco, que era chefe da Casa Militar, e Paulo Taques, então secretário-chefe da Casa Civil e primo do ex-governador, foram responsáveis pelas interceptações clandestinas executada por policiais militares sem qualquer autorização judicial. “E o relatório da Polícia Federal diz com base nesses documentos que não tem nenhuma participação minha. A única participação é que sou próximo de outros que estão sendo investigados”, disse o ex-governador Pedro Taques na entrevista concedida à TVCA.

Ele também comentou sobre a denúncia formulada pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, ex-secretário estadual de Segurança Pública, responsável por alertá-lo e depois expor o esquema da “Grampolândia Pantaneira” em rede nacional numa reportagem exibida pelo Fantástico em 14 de maio de 2017.

Zaque protocolou a denúncia diretamente no gabinete de Taques em 8 de outubro de 2015, mas segundo ele, o governador não tomou qualquer atitude.

Por sua vez, o ex-governador garante que tomou providências e pediu abertura de investigação encaminhando a denúncia seis dias depois encaminhou ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). No dia 27 de outubro daquele ano, o promotor Marco Aurélio de Castro, então coordenador do Gaeco, mandou arquivar a denúncia por não ter verificado qualquer elemento que comprovasse que as interceptações telefônicas clandestinas estavam realmente acontecendo.

Mauro Zaque então protocolou outra denúncia no dia 14 de outubro, com 242 páginas, dessa vez no protocolo-geral da Casa Civil no Palácio Paiaguás. Protocolo que depois teve o número trocado e o governador tentou atribuir a culpa a Mauro Zaque gerando uma nova investigação.

Na entrevista, Pedro Taques afirma que só tomou conhecimento da segunda parte da denúncia em maio de 2017 com a exibição da reportagem do Fantástico.

Com a derrota de Pedro Taques nas eleições de 2018, Taques ficou sem mandato e sem foro privilegiado em janeiro deste ano. Com isso, em março o ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), remeteu para a 7ª Vara Criminal de Cuiabá três inquéritos da “grampolândia pantaneira” revelando a existência de investigações contra membros do Judiciário e Ministério Público por suposta participação em Mato Grosso.

Por determinação da Justiça, a Diretoria da Polícia Civil montou uma equipe para conduzir as investigações. Os delegados escolhidos para atuar exclusivamente nos inquéritos são: Jannira Laranjeira Siqueira Campos Moura, Luciana Batista Canaverde e Rafael Mendes Scatalon.

Pedro Taques quer ser ouvido pelos delegados. “Meus advogados vão protocolar pedido para pra mim ser ouvido, eu quero ser ouvido a respeito disso”, disse o ex-governador.


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