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Presidente da Apex diz que não pretende entregar o cargo

G1

O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), embaixador Mario Vilalva, afirmou ao blog que não pretende se demitir da função para a qual foi nomeado em janeiro pelo presidente Jair Bolsonaro. “Não pretendo entregar o cargo e espero uma palavra ou atitude do ministro em relação a esse episódio”, declarou Vilalva, sobre o fato de o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ao qual a Apex está submetida, ter promovido uma alteração no estatuto da agência sem informá-lo.

“Foi na calada da noite. Me induziu a erro, inclusive com possibilidade de implicação jurídica”, declarou, referindo-se às novas regras impostas pelo estatuto. A alteração no estatuto, feita em março, pretende adequar a agência à legislação sobre sua criação, mas foi feita sem que o presidente da própria Apex fosse consultado e de modo a retirar poderes da presidência e fortalecer a diretoria da agência, composta hoje por integrantes próximos à família Bolsonaro e ao PSL.

Vilalva havia entrado em embate com os diretores Letícia Catelani e Marcio Coimbra, que se recusavam a assinar atos da agência, promovendo uma paralisação administrativa na Apex – entre as polêmicas, questões relacionadas à nomeação de funcionários, supostamente sem currículo para o posto, como um ex-candidato a deputado pelo PSL, e a assinatura de contratos. Catelani chegou a se indispor com o presidente anterior, Alex Carreiro, que acabou caindo do cargo em dez dias.

A indicação de Vilalva foi bem recebida à época, já que a sua nomeação foi considerada técnica – ele foi embaixador no Chile, na Alemanha e em Portugal e foi diretor-geral do Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores.

Diante do embate entre a diretoria e a presidência, porém, Araújo escolheu os diretores e promoveu a alteração no estatuto sem avisar o embaixador. Vilalva reagiu ontem dando declarações à imprensa, segundo as quais estava decepcionado com Araújo e que sofrera um “golpe”. “Fui leal a ele desde o começo. Fui leal na questão substantiva, nas questões relacionadas à minha função. Só que me recusei a fazer parte desse esquema imoral”, afirmou o embaixador ao blog.

Vilalva disse estar “muito aborrecido” com a forma como foi feita a alteração no estatuto – inclusive na presença de um advogado da própria agência que, em tese, deveria responder a ele. “A gente lamenta que, no Brasil, em vez de vencer a correção, vence a malandragem”, concluiu.


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