Reuters/Leonhard Foeger

Morre ex-ministro do Petróleo preso na Venezuela

G1

O ex-ministro do Petróleo da Venezuela Nelson Martínez, preso desde o ano passado, morreu nesta quarta-feira (12) sob a custódia do governo, informou Rafael Ramírez, ex-diretor da PDVSA, a petrolífera estatal do país.

“Acaba de morrer Nelson Martínez, ex-ministro do Petróleo e também ex-presidente da PDBSA. Sequestrado e maltratado durante um ano por ordens de Nicolás Maduro, que sabia de sua doença crônica. Humilharam-no e negaram seu direito à defesa e à vida. Maduro, você é o responsável”, escreveu Ramírez no Twitter.

Ramírez tinha afirmado no sábado que Matínez, preso desde 2017 após ser acusado de corrupção, sofria de um problema cardíaco e estava em tratamento intensivo.

Até o momento, o governo da Venezuela não se pronunciou, de acordo com a agência Efe.

Veículos da imprensa local informaram que Martínez tinha sido levado ao Hospital Militar de Caracas há alguns dias após sofrer uma complicação cardíaca dentro da cadeia.

Ramírez usou as redes sociais para expressar condolências aos familiares do ex-ministro que, segundo ele, foi vítima de maus-tratos durante a prisão.

“E lhe negaram o direito a tudo, inclusive à vida. Nelson era um excelente profissional e um patriota”, afirmou.

Ramírez foi presidente da PDVSA por uma década, entre 2004 e 2014, durante o governo do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013), do qual fazia parte e círculo íntimo.

No final de 2017, Ramírez rompeu com Maduro.

Ele foi preso no fim do ano passado, acusado de ter envolvimento na assinatura do contrato de refinanciamento da dívida da empresa Citgo Petroleum Corporation, a maior filial da PDVSA, sem contar com a aprovação do governo da Venezuela.

Desde então, o ex-ministro era mantido preso na Direção de Contrainteligência Militar, onde também está detido o ex-presidente da PDVSA Eulogio del Pino.

Em novembro do ano passado, o procurador-geral da Venezuela, Tareq Saab, acusou os dois de peculato e formação de quadrilha.

Outras mortes

O caso de Ramírez não é inédito na Venezuela. Em 8 de agosto passado, o vereador opositor Fernando Albán morreu ao cair do 10º andar da sede do serviço de inteligência em Caracas (SEBIN), após ser detido por suposto envolvimento no alegado ataque contra Maduro utilizando drones carregados de explosivos.

O governo afirma que Albán cometeu suicídio, mas a oposição garante que morreu ao ser torturado durante interrogatório e depois foi jogado pela janela.

Outro líder opositor, Carlos Andrés García, morreu em 17 de setembro de 2017 por um AVC quando estava detido no SEBIN.

O piloto Rodolfo González, conhecido como “El Aviador”, se enforcou em sua cela em 2015, após ser capturado durante protestos contra Maduro que deixaram 43 mortos em 2014.

Segundo a ONG de direitos humanos Foro Penal, na Venezuela há 288 presos políticos.


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