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Conversa mostra que irmão de ex-secretário tentou esconder provas

RepórterMT

Imagens anexadas à denúncia do Ministério Público do Estado (MPE) a respeito do esquema de fraudes no contrato do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) com a EIG Mercados Ltda, mostram que o advogado Pedro Jorge Taques tentou ‘encobrir’ a ligação de seu escritório de advocacia, em sociedade com o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, com a empresa.

A denúncia mostra uma conversa de Pedro Jorge com Paloma Gomes de Araújo, funcionária da EIG, ocorrida em abril deste ano por meio do WhatsApp. As conversas foram entregues pelo dono da EIG Mercados, José Henrique Ferreira Gonçalves, delator do esquema.

De acordo com o MPE, após suposto acerto entre Paulo Taques e o dono da EIG, para a manutenção do contrato na gestão Pedro Taques (PSDB), a empresa contratou o escritório de advocacia de Paulo e Pedro Jorge Taques. No entanto, o acordo seria informal e após a deflagração da Operação Bereré, em fevereiro deste ano, o advogado teria afirmado “que ‘em função dos últimos acontecimentos, me vi obrigado a recolher impostos de todos os valores recebidos do escritório do Dr. Daniel’”.

“É de se destacar que “os últimos acontecimentos” a que ele se refere dizem respeito à investigação que dá suporte à presente denúncia, ou seja, pelo fato de estar sendo investigado, ele precisava produzir documentos que fizessem parecer serem legais as suas atividades relacionadas à EIG MERCADOS LTDA decorrentes de “acordos verbais”, assim selados para atuação oculta dada a sua ilicitude”, apontaram os promotores.

Segundo o MPE, Paulo Taques teria recebido R$ 2,6 milhões em propina da EIG Mercados, através do amigo de infância e ex-diretor-presidente da EIG, Valter José Kobori.

O primeiro pagamento foi feito em dezembro de 2014, no valor de R$ 1,4 milhão, e em janeiro de 2015, mais R$ 1,2 milhão foi solicitado por Kobori, em nome de Paulo Taques. Os pagamentos teriam sido feito em dez parcelas até fevereiro de 2016.

Operação

A Operação Bônus é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Operação Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas. Tem como objetivo desmantelar organização criminosa instalada dentro do Detran para desvio de recursos públicos.

Ao todo, foram expedidos pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, seis mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão.

Foram presos na segunda fase da operação, o deputado Mauro Savi, que foi afastado do cargo parlamentar, os advogados Paulo e Pedro Jorge Taques, os empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, vulgo “Grilo”, além do ex-diretor-presidente da EIG Mercados, Valter José Kobori.

A investigação apura esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propina, por meio de contrato da empresa EIG Mercados e o Detran, na ordem de R$ 30 milhões, que operou de 2010 a 2016.


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