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McGregor dá a maior porrada que o UFC já levou. E isso deve mudar tudo

UOL

Sempre houve disputas públicas entre lutadores e UFC, mas o que estamos vendo acontecer neste momento com Conor McGregor é sem precedentes. Nunca um astro, alguém em alta e tão importante quanto o irlandês enfrentou Dana White e seus pares desta maneira. Mais que isso, a carta que ele publicou na última quinta-feira é a maior porrada que o Ultimate já levou.

E agora nada deve ser mais do mesmo jeito.

Conor McGregor usou todo seu status, tudo que ele fez pelo UFC nos últimos meses, todo o dinheiro que ganhou e levou para a companhia para confrontar o modus operandi de divulgação de grandes cards, em como eles usam os lutadores para vender ingressos e pacotes de pay-per-view.

Agora, o Rei UFC está nu na frente de todos. O irlandês abriu um precedente para que todos os súditos questionem os processos a que são submetidos. Dana White foi colocado contra a parede e está tão desconfortável com isso que ainda nem conseguiu responder à carta de seu (ex-)queridinho, o que soa estranho, já que ele é famoso por sempre ter uma resposta na ponta da língua.

Os lutadores que estão no UFC 197 em Las Vegas já começaram a se colocar ao lado de Conor, a dar uma conotação de “luta de classes”, talvez iniciar uma união entre os atletas da franquia que nunca aconteceu. “Tiro o chapéu por ele se manter fiel ao que acredita. Isso vai ajudar os lutadores no futuro. Eu respeito sua vontade de lutar pelo que é certo”, disse Jon Jones.

E no final das contas, é muito simples o que Conor McGregor quer: apenas treinar o quanto ele julga necessário, seguir as suas regras e não as das pessoas que fazem o calendário de eventos do UFC. Será que é pedir muito?

Neste momento, só nos resta esperar a decisão de Dana White. Será que ele vai perdoar essa insolência do irlandês e mantê-lo na luta contra Nate Diaz no UFC 200 ou o deixará na geladeira?

McGregor deu mais uma intimada na mensagem acima: “Sua vez”

Ah, leia abaixo a carta completa de Conor:

Estou apenas tentando fazer meu trabalho e lutar.

Sou pago para lutar. Ainda não sou pago para promover.

Eu me perdi no jogo de promoção e me esqueci da arte da luta.

Chega um momento em que você precisa parar de distribuir panfletos e se voltar para a porcaria da loja.

50 turnês mundiais, 200 coletivas de imprensa, um milhão de entrevistas, dois milhões de sessões de fotos, e no fim de tudo, eu sou deixado olhando para uma lente, encarando a derrota, sem pensar em nada, a não ser na minha preparação incorreta para a luta. E nas muitas distrações que levaram a isso.

Nada mais estava passando pela minha mente.

É hora de voltar e viver a vida que me rendeu esta vida.

Ficar sentado em um carro a caminho de algum buraco em Connecticut ou em outro lugar qualquer, para falar com Tim e Suzie no “Ninguém Dá a Mínima Show” não me deu a minha vida.

Conversar com uma senhora que, no fundo, não dá a mínima para o que estou fazendo, e só quer algumas frases de efeito para que ela possa talvez ganhar um bom aumento. Tudo bem. Eu consegui aumentos para todos vocês. Mas preciso concentrar em mim agora.

Agora é a hora da minha vingança.

Levei uma equipe inteira para Portugal e para a Islândia para fazer meus ajustes na preparação e corrigir os meus erros no peso e na preparação física.

Com os ajustes certos e o foco certo, vou terminar o que comecei naquela última luta.

Mas não vou conseguir se eu estiver de volta à estrada distribuindo panfletos novamente.

Eu vou sempre jogar o jogo, e jogarei melhor do que ninguém, mas apenas desta vez, quando estou vindo de uma derrota, eu pedi alguma margem de manobra para poder apenas treinar e me concentrar. Eu não neguei todos os pedidos da mídia. Só queria um pequeno ajuste.

Mas isso me foi negado.

US$ 10 milhões foram gastos para a promoção deste evento, pelo que me disseram.

Então, como um gesto de boa vontade, eu não apenas salvei esses US$ 10 milhões , como também tripliquei.

E tudo com um tuíte.

Guardem esses 10 milhões para promover os outros vagabundos que precisam dele. Meus shows são bons.

Devo me isolar agora.

Vou enfrentar um cara maior, mais longo e mais pesado. Eu preciso me preparar corretamente neste momento.

Eu não posso dançar para vocês neste momento.

Está na hora dos outros macacos dançarem. Eu dancei para todo mundo até aqui.

A cabecinha de cogumelo do Nate parece ficar bem no palco hoje em dia. Coloquem-no na frente das câmeras.

Ele não fez merda nenhuma para este evento (UFC 196). Eu já tinha feito coletivas de imprensa, entrevistas e filmado os anúncios antes de Rafael dos Anjos sair.

Talvez eu vá para a Praia do Cabo desta vez e fique bebendo tequila pré-luta, sem qualquer pressão.

Estou fazendo o que é melhor para para mim agora.

É hora de ser egoísta com o meu treinamento novamente. É o único caminho.

Acho que os US$ 400 milhões que gerei para essa empresa em meus últimos três eventos, tudo em oito meses, é o suficiente para que eu me dê essa pequena margem.

Ainda estou pronto para ir para o UFC 200.

Vou me oferecer, como eu já fiz, para voar para Nova York para essa grande conferência de imprensa que já estava programada, e então eu vou voltar para o treinamento. Sem distrações.

Se isso não for suficiente ou se eles sentirem que eu não mereci me afastar desta promoção desta vez, bem, então eu não sei o que dizer.

E que fique registrado – para a USADA, para o UFC e minhas cláusulas contratuais…

EU NÃO ESTOU APOSENTADO.


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