Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Reprodução
A defesa de Nataly Helen Martins Pereira, acusada de matar a menor Emelly Azevedo Sena, 16, e remover o bebê de seu vente, apresentou novo laudo psiquiátrico feito por peritos particulares. O exame aponta que na época do crime, março do ano passado, a ré sofria de sérios transtornos mentais, com “sintomas psicóticos ativos, incluindo delírios de natureza mística, alucinações auditivas e uma profunda ruptura com a realidade”.
A informação consta em nota encaminhada à imprensa, na tarde desta terça-feira (20), e assinada pelos advogados André Luís Melo Fort e Ícaro Vione de Paulo.
Conforme a nota, o exame mental ao qual a ré foi submetida “recomenda expressamente, sob o ponto de vista científico, a instauração do Incidente de Insanidade Mental como medida imprescindível para a correta elucidação da capacidade de entendimento e autodeterminação da Sra. Nataly no momento do ocorrido”.
Em novembro de 2025, a Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em decisão unânime, anulou a decisão que determinava o júri popular à ré e autorizou o exame psiquiátrico. Por sua vez, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) interpôs recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), buscando reverter essa decisão e insistindo na tese de que não haveria provas suficientes para justificar a perícia – tese esta que agora se choca frontalmente com o novo parecer técnico. Em resposta, a defesa protocolou, nesta terça, suas contrarrazões ao recurso especial, que ainda espera decisão da instância superior.
“A Justiça não pode se curvar ao clamor público e ignorar a ciência. O novo parecer técnico é demolidor e transforma a dúvida sobre a sanidade de nossa cliente em uma certeza científica que precisa ser investigada. O que o Ministério Público busca, infelizmente, é impedir que a verdade sobre o estado mental de Nataly venha à tona. Nossa luta é para que ela seja julgada pelo que realmente é: uma pessoa com um grave transtorno mental que cometeu um ato trágico, e não um monstro calculista”, alega a defesa.
O caso
Emelly saiu de casa no final da manhã de quarta-feira, 12 de março de 2025, no bairro Eldorado, em Várzea Grande, e avisou a família que estava indo para Cuiabá buscar doações de roupas na residência de um casal.
Durante a noite, uma mulher apareceu em um hospital com um bebê recém-nascido, alegando que era seu filho e que havia dado à luz em casa.
Após exames, a médica de plantão confirmou que a mulher sequer esteve grávida. Os profissionais observaram que a criança estava limpa e sem sangramento. Além disso, exames ginecológicos e de sangue demonstraram que ela não havia passado por um parto recentemente. A mulher também não tinha leite para amamentar a bebê.
A trama começou a ser desvendada já na manhã seguinte, 13 de março. Com o corpo encontrado, a perícia foi acionada e quatro pessoas foram detidas, entre elas o casal que chegou ao hospital.
No decorrer do dia, a DHPP prendeu em flagrante Nataly Helen Martins Pereira, 25, que atacou Emelly, retirou a filha dela da barriga e enterrou a adolescente no quintal. Os demais foram liberados após entendimento de que não participaram do crime.



