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O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) afirmou que a postura do governo de Mato Grosso foi “calculada” ao não encaminhar à Assembleia Legislativa o projeto de lei da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos estaduais. Para ele, a medida ocorre diante do risco de aprovação de um reajuste superior ao pretendido pelo Executivo, que é de 4,26%. Ele cia que se tornou “costume” a “chantagem do governo” durante votação da revisão.
“Nós sempre passamos por isso todos os anos quando votamos a RGA: a pressão do governador e a chantagem do governo, de que, se a Assembleia alterar o texto, o governador vetará e isso significaria prejuízo para os servidores”, analisou Lúdio.
O parlamentar ressaltou que o governador Mauro Mendes havia anunciado o envio da proposta, mas não a encaminhou, o que levou à suspensão da sessão extraordinária desta quarta-feira (14) sem a votação do projeto. Segundo ele, a avaliação entre os parlamentares é de que há apoio significativo à categoria para um reajuste maior do que o inicialmente defendido pelo Executivo.
“Hoje, temos uma maioria ampla aqui na Assembleia para aprovar um reajuste maior do que o que o governador propõe e para aprovar a emenda que apresentei, de mais 4,92%. Ao perceberem que, se enviassem o projeto, a emenda seria aprovada, acabaram recuando e não o encaminhando, para manter a pressão sobre os deputados”, explica Lúdio.
Lúdio já anunciou que apresentará emenda para garantir o pagamento de parte dessas perdas acumuladas ao longo dos últimos sete anos. A proposta prevê a concessão de um percentual adicional de 4,92% aos servidores. Ele reconhece que o governo pode vetar, mas reforça que seria um veto parcial e que a Assembleia pode derrubá-lo.
“Agora é esperar o projeto chegar. O presidente convoca a sessão em 24 horas, seguimos com a mobilização dos servidores, votamos e aprovamos as emendas. Será vergonhoso se o governador não enviar o projeto, depois de ter afirmado que o faria”, declarou.
Para o deputado, a atitude do governo demonstra falta de sensibilidade e de compromisso com o “ativo mais importante” do Estado: os servidores públicos.
Ameaça de greve
A Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso (FESSP-MT) segue mobilizando a categoria para acompanhar o debate na Assembleia Legislativa. Além da reposição inflacionária referente a 2025, o movimento sindical defende a recomposição das perdas salariais acumuladas ao longo dos últimos anos.
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que o funcionalismo estadual acumula perdas de 19,52%, em razão da ausência de recomposição inflacionária integral nos últimos cinco anos.



