Na década de 90 do século passado, pós abertura política, o que assistimos de camarote ou fomos protagonistas, foi um verdadeiro tsunami de indignação, protestos, lamentos, esperança e renovação. Tendo como trilha sonora o bom e velho rock and roll, mais pela rebeldia do que pela melodia.
O Brasil mostrou a sua cara e na voz de Cazuza, nós queríamos saber “qual era o teu negócio?” Afinal “ nossas piscinas estavam cheias de ratos, nossas ideias não correspondem aos fatos”.
Em um dado momento parecia que essa onda se perpetuaria, não haveria retrocesso, e a liberdade de fato tinha aberto suas asas sobre nós.
A estrada para sairmos do subdesenvolvimento, de um país miserável, rumo ao primeiro mundo estava pavimentada.
A concepção do sistema único de saúde era genial, e ainda é!
Se falava dia e noite em educação em tempo integral, em Darcy Ribeiro, em Paulo Freire… Os direitos humanos tomou forma, ganhou voz!
Por um breve momento tivemos a sensação que a real democracia, aquela em que todo poder emana do povo, para o povo…enfim se faria verdade!
Nesse drama da vida real, já se foram quatro décadas, e até agora não passou de “sonho de uma noite de verão”!
Não sabemos ainda qual é o negócio do Brasil, sua cara ainda é uma incógnita, a droga toda continua malhada, muitos dos nossos heróis morreram de overdose, Aids, deprê, angústia e tristeza, perdendo a esperança é até mesmo a capacidade de se indignar….
Rodrigo Rodrigues é empresário, jornalista e graduado em gestão pública.