Com uma campanha focada nas “pessoas comuns”, o líder trabalhista Jonas Gahr Støre encantou o povo norueguês e venceu as eleições gerais no país escandinavo na semana passada.
Com a vitória deste milionário de 61 anos nascido em Oslo, a Noruega não é mais o único país nórdico com um governo conservador. Agora todas as nações da região terão governos social-democratas.
É a primeira vez em mais de 60 anos que a esquerda governa os cinco países nórdicos (Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia), admirados tanto por seus indicadores econômicos quanto por seu amplo bem-estar social.
Com uma campanha focada nas “pessoas comuns”, o líder trabalhista Jonas Gahr Støre encantou o povo norueguês e venceu as eleições gerais no país escandinavo na semana passada.
Com a vitória deste milionário de 61 anos nascido em Oslo, a Noruega não é mais o único país nórdico com um governo conservador. Agora todas as nações da região terão governos social-democratas.
É a primeira vez em mais de 60 anos que a esquerda governa os cinco países nórdicos (Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia), admirados tanto por seus indicadores econômicos quanto por seu amplo bem-estar social.
“E na Noruega, as pessoas da periferia das cidades reclamam que foram abandonadas por governos de direita”, observa Strang.
Voltando às suas raízes
Depois de oito anos sob um governo conservador, a esquerda norueguesa voltou ao poder prometendo uma redução de impostos para famílias de baixa e média renda.
Além disso, a esquerda prometeu acabar com a privatização dos serviços públicos, dar mais dinheiro aos hospitais e forçar os mais ricos a pagar mais impostos.
E com essa agenda a vitória foi esmagadora: o Partido Trabalhista e seus dois aliados de esquerda conquistaram 100 dos 169 assentos no Parlamento.
A campanha voltada para “pessoas comuns” valeu a pena.
Os resultados das eleições mostram que a ideia de um governo representando “o povo comum” mais uma vez seduz os nórdicos.
Strang estima que, apesar de o modelo nórdico ter sido “neoliberalizado” nas últimas décadas, ele parece estar voltando às suas origens. “Mas ainda é muito cedo para dizer isso”, esclarece.
Pragmatismo e flexibilidade
Com uma região nórdica politicamente mais homogênea, pode-se pensar que os países estão caminhando na mesma direção.
Mas os especialistas concordam que isso é difícil de prever.
“Ajuda o fato de os países terem governos social-democratas, mas do ponto de vista histórico, os políticos de esquerda da região costumam ter personalidades fortes, que se chocam e eles acabam não se dando muito bem”, lembra Strang, da Universidade de Helsinque.
Foi o caso dos sociais-democratas Paavo Lipponen e Göran Persson, que lideraram a Finlândia e a Suécia, respectivamente, no início dos anos 2000. As diferenças entre os dois líderes eram grandes e eles não fizeram nenhum esforço para escondê-las.
Os partidos de esquerda nas democracias nórdicas também são notáveis por seu pragmatismo e flexibilidade: eles adaptam suas políticas ao longo do tempo e de acordo com suas necessidades.
Enquanto os sociais-democratas na Dinamarca se voltaram contra a imigração, na Suécia e na Noruega eles têm uma abordagem “mais humanística”, lembra Byrkjeflot, da Universidade de Oslo.
Uma longa era social-democrata?
Atualmente, o sistema político nórdico, como em toda a Europa, está em crise e a questão da gestão da imigração e do tratamento dos migrantes suscita grandes debates.
Os partidos tradicionais têm dificuldade em conquistar o eleitorado e, ao mesmo tempo, os pequenos partidos — alguns deles com uma ideologia mais “extrema” de direita ou esquerda — estão se saindo melhor do que o normal.
Embora o Partido Trabalhista norueguês tenha vencido nas últimas eleições, é graças a outros partidos menores de esquerda, ambientalistas e socialistas, que ele conseguirá formar um governo.
Muitos se perguntam por quanto tempo durará a hegemonia social-democrata nos países nórdicos.
Tudo pode acabar muito em breve. Em 25 de setembro, a Islândia realizará suas próximas eleições legislativas.
As pesquisas preveem que nove partidos ganharão pelo menos uma das 63 cadeiras no Alþingi (o Parlamento islandês), então o quadro será muito misto.
E para governar, uma maioria — direita ou esquerda — terá que formar uma coalizão.
Fonte: Por Norberto Paredes, BBC


