"> Tiro no pé – CanalMT
Licio Antonio

Tiro no pé

Vivemos em nosso país, uma das piores crises sanitárias e humanitárias, tendo como epicentro, uma doença maldita coronavírus  (Sars-Cov-2), que apresenta  taxa de letalidade por infecção inimaginável; ninguém em sã consciência poderá ser negacionista com relação a letalidade e propagação dessa doença maldita, que vem se alastrando pelo mundo, de forma célere e incontrolável.

O governador Mauro Mendes (DEM), usando de sua prerrogativa constitucional, encaminhou projeto de lei à Assembleia Legislativa de Mato Grosso, na última terça-feira (23.03), para antecipar feriados como forma de reduzir o contágio proveniente da Covid-19 em Mato Grosso, tendo como premissa básica, a restrição de circulação de pessoas.

A priori, o projeto de lei tinha como objetivo, caso fosse aprovado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, a antecipação dos feriados, passando a valer a partir da sexta-feira vindoura (26.03) e se encerraria no dia 4 de abril, contando 10 dias corridos.

Senhor governador Mauro Mendes (DEM), com todo respeito que nutro por sua pessoa, como  gestor público inteligente, originário da iniciativa privada; era de esperar do senhor, medidas mais austeras como:  endurecimento das leis e decretos já existentes, visando minimizar o contagio e propagação dessa doença maldita e mortal.

E não, o aniquilamento total da economia do nosso Estado, que hoje, mesmo diante dessa pandemia mortal é o celeiro do Brasil, juntamente com: Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, pois nestas regiões concentram 40% da produção agrícola brasileira.

O  projeto de lei do governo do estado, que prevê emendar 5 feriados para tentar conter os casos de covid-19, foi reprovado pela maioria dos deputados durante a sessão da última terça-feira (23), que convenhamos, se o mesmo tivesse sido aprovado, seria um tiro no pé do Legislativo estadual; diante do desespero, da petição de miséria em que se encontram os comerciantes, os trabalhadores autônomos e principalmente os lojistas que pagam valores exorbitantes para se manterem em funcionamento, gerando emprego e renda.

Ainda nessa vertente, vou usar apenas um dos seguimentos Shopping; pelo menos 13 lojas fecharam suas portas em Cuiabá (dados compilados de 07/07/2020), desta feita, 13 CNPJs  foram literalmente cancelados. Hoje, esse número é mais expressivo, imaginem vocês a quantidade de pessoas desempregadas, passando fome e o que é pior tendo que ficar em casa.

A situação é complicadíssima “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, não é o momento  de buscarmos culpados, porém, quer queira quer não, a propagação desse maldito vírus é culpa de parte da população que não acredita na letalidade dessa doença, que vem  levando milhares de pessoas à morte; insistindo em desrespeitar as medidas restritivas.

Senhor governador Mauro Mendes (DEM), vamos conjecturar usando metáfora, para explicar a situação, caso o projeto de lei de sua autoria fosse aprovado pela AL/MT, sabe o que iria acontecer.

Vou fazer um comparativo esdrúxulo, para mostrar a fragilidade, ineficiência e principalmente a redução de efetivo nas fiscalizações.

No período de defeso, que é a época de reprodução de cada espécie de peixe, nessa época a legislação não permite a pesca.

O que comumente acontece, através de denúncia a fiscalização, vai até Porto de Fora por exemplo, em Barão de Melgaço,  e faz uma pequena apreensão, a mídia  faz um verdadeiro estardalhaço, enquanto isso, milhões de Kg de pescado passam livremente, não é pela má vontade dos fiscais e, sim por falta de efetivo, e pela grande extensão territorial do nosso estado.

Senhor governador, esta é a minha modesta opinião me perdoe, iria acontecer a mesma coisa, caso o seu projeto de lei fosse aprovado; fiscais chegariam em uma determinada localidade, e acabariam com um baile Funk com 100 pessoas por exemplo.

A mídia faria a mesma coisa, daria ênfase a essa abordagem vangloriando o feito, porém em milhões de outras localidades: chácaras, sítios e até fazendas afastadas, rolariam altas festas com aglomerações, e essas mesmas pessoas levariam o vírus para suas casas, estaríamos literalmente quebrando o Estado, e o que é pior, enxugando gelo.

Pare o mundo, quero descer!

Professor Malheiros é geógrafo


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