Os titulares da Defesa e das Relações Exteriores da Espanha disseram nesta segunda-feira (13) acreditar que grupos sediados na Rússia usaram redes sociais para defender enfaticamente o referendo de independência realizado pela Catalunha no mês passado na tentativa de desestabilizar a Espanha.
A ministra da Defesa espanhola, Maria Dolores de Cospedal, e o chanceler espanhol, Alfonso Dastis, disseram ter indícios de que grupos russos dos setores estatal e privado, além de grupos da Venezuela, usaram Twitter, Facebook e outros sites da internet para divulgar maciçamente a causa separatista e influenciar a opinião pública por trás desta na véspera da votação de 1º de outubro.
Os líderes separatistas catalães negaram que uma interferência da Rússia os tenha ajudado na eleição.
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Maria Dolores de Cospedal, ministra da Defesa espanhola (Foto: REUTERS/Eric Vidal)
“O que sabemos hoje é que muito disto veio do território russo”, disse Cospedal sobre o apoio vindo da Rússia através da Internet. “Estes são grupos que, pública e privada(mente), estão tentando influenciar a situação e criar instabilidade na Europa”, disse ela a repórteres após uma reunião de chanceleres e ministros da Defesa da União Europeia em Bruxelas.
Indagado se Madri está certa das acusações, o chanceler Dastis, também presente ao encontro, respondeu: “Sim, temos provas”.
Dastis disse que a Espanha detectou contas falsas em redes sociais, metade das quais foram rastreadas na Rússia e outras 30% na Venezuela, criadas para amplificar os benefícios da causa separatista republicando mensagens e postagens.
O chanceler afirmou ter abordado o assunto com o Kremlin. Moscou negou várias vezes qualquer interferência do tipo e acusa o Ocidente de uma campanha para desacreditar a Rússia.
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Multidão marcha em Barcelona pela independência da Catalunha (Foto: AFP)
Já Ramon Tremosa, parlamentar do PDeCat, partido do líder separatista catalão, Carles Puigdemont, na UE, repetiu nesta segunda que a interferência russa não teve nenhum papel no referendo.
“Aqueles que dizem que a Rússia está ajudando a Catalunha são aqueles que ajudaram a frota russa nos últimos anos, apesar do boicote da UE”, tuitou Tremosa em referência a reportagens da mídia espanhola segundo as quais a Espanha está permitindo que navios de guerra russos reabasteçam em seus portos.
Aqueles que votaram no referendo optaram na sua maioria pela independência, mas o comparecimento foi só de cerca de 43%.