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Empresário diz que Maggi foi avalista de divida política com o Bic Banco

Da Redação

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PR), avalizou o pagamento de uma dívida do grupo político em Mato Grosso com o Bic Banco por meio de transportadoras. A revelação consta na delação premiada do empresário Genir Martelli a Procuradoria Geral da República, responsável pelas investigações da “Operação Ararath”.

Ao todo, o empresário contou que a dívida assumida pelas empresas de transporte era de R$ 23 milhões. Destes, R$ 16,5 milhões foram pagos por meio do Bic Banco e os R$ 6,5 milhões restantes diretamente ao empresário Gércio Marcelino Mendonça Junior, um dos operadores do grupo.

Martelli contou que em 2009, quando era governador, Maggi assinou decreto beneficiando as empresas de transporte, concedendo créditos tributários. Em troca, ficou definido o pagamento dos R$ 23 milhões.

Após a definição, o empresário contou que, junto com seu irmão, foi pressionado por Eder Moraes para assumir as dívidas com o Bic Banco e com Junior Mendonça. “Eder de Moraes Dias determinou que eu o acompanhasse no carro oficial (SW4 preta) e me levou no Bic Banco […] Na reunião na sede do Bic Banco, na cidade de Cuiabá, com Luiz Carlos Cuzziol (gerente) e Eder de Moraes Dias, eu tomei conhecimento de que a quantia de R$ 16,5 milhões deveriam ser repassadas ao Bic Banco, por meio de notas promissórias”, relatou, contando que o gerente do Bic Banco.

O empresário contou que resistia em assinar as promissórias assumindo as dívidas, já que ainda não havia ocorrido a compensação dos créditos, que seria feito pela BR Distribuidora. “A pressão era tão grande que eu disse ao meu irmão Luiz Martelli que não estava aguentando mais”, disse o delator.

Martelli contou que, além de Eder Moraes, o ex-superintendente do Bic Banco em Mato Grosso, Luiz Carlos Cuzziol, exercia pressão para assinar as promissórias. Eles sempre utilizavam o nome de Blairo Maggi.

O empresário, então, buscou uma reunião com o ex-governador, que já havia deixado o cargo para se candidatar ao Senado. O encontro, realizado na sede da Amaggi, foi intermediado por Eder Moraes e contou com a participação ainda de Marcel de Cursi, à época adjunto de Fazenda, e do irmão do delator Luiz Martelli, já falecido. A presença de Marcel causou surpresa no empresário, pois ele sempre se posicionou contra os créditos para a transportadora.

“Eu e o Luiz Martelli ficamos um pouco constrangidos em função da presença do Marcel de Cursi, pois não sabíamos se Marcel sabia da situação de ter sido pedida propina para concessão dos créditos de ICMS. A intenção era saber se Blairo Maggi realmente sabia das dividas no Bic Banco, com vistas a que tivessem (eu e meu irmão Luiz) alguma segurança quanto à assinatura (por mim) dessas notas promissórias no Bic Banco”, disse.

Na reunião, Genir contou que, junto com o irmão, demonstraram preocupação com relação ao fato de assumir as dívidas e não terem os créditos de ICMS compensados. Foi então que Maggi se posicionou na reunião.

“Neste momento, Blairo empurrou a cadeira onde estava sentado para trás, cruzou os braços e disse que ‘quem poderia falar sobre isso seria o Marcel, funcionário de carreira que não é político’, abrindo espaço para Marcel falar. Marcel disse que os créditos eram um direito dos transportadores e que o crédito já estava certo perante a Petrobrás, deixando bem claro e transparente que não tinha problema nenhum”.

O empresário deixou a entender que o ex-governador tinha conhecimento sobre a dívida com o Bic Banco e a forma como ela seria paga. “Blairo Maggi não questionou a nenhum dos presentes na reunião que dívida seria essa perante o Bic Banco nem mesmo contestou ser responsável pela dívida”, disse, na delação.

Após a reunião, o empresário esteve no Bic Banco para assinar 12 notas promissórias, que somavam R$ 16,5 milhões. Posteriormente, fez o pagamento de cada uma delas junto a instituição financeira. “A cada vencimento de nota promissória perante o Bic Banco, ora eu, ora meu sobrinho Luiz Fernando Martelli, compareciam no Bic Banco para efetuar na boca do caixa o pagamento das notas promissórias. Todas as notas promissórias foram quitadas e devolvidas a mim, sendo que algumas delas não foram quitadas na data do vencimento e em razão disso eu paguei juros”.

Segundo Martelli, as notas foram pagas com ajuda do empresário Dirceu Bergamaschi.  Já o pagamento a Junior Mendonça foi feito por Berganschi e Márcio Luiz Barbosa, também empresários do ramo de transporte.


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