Em depoimento a Polícia Civil, o tenente coronel José Henrique Soares revelou a delegada Ana Cristina Feldner que foi cooptado pela organização criminosa que lideravas as escutas telefônicas clandestinas para gravar um áudio de uma conversa com o desembargador Orlando Perri, responsável em conduzir as investigações.
A ideia seria conseguir declarações com o intuito de deturpá-las, tirando do contexto original, e assim colocar o magistrado sob suspeição e afastá-lo das investigações.
Em seu relato à Polícia Civil, o tenente-coronel José Henrique Costa Soares, a esposa do coronel Evandro Lesco, a personal trainer Hellen Chrtisty, foi a responsável em arquitetar o plano para comprometer o desembargador Orlando Perri.
Para forçá-lo a aderir o plano, Hellen Christy ameaçou divulgar um vídeo no qual o tenente coronel estaria consumindo drogas.
O tenente-coronel José Henrique Costa Soares atuava como escrivão do Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga o esquema de escutas clandestinas.
Por conta disso, mantinha proximidade e acesso ao desembargador Orlando Perri e montou uma estratégia de inserir uma câmera escondida em sua farda.
De acordo com a delegada Ana Cristina Feldner, a ideia seria gravar declarações do desembargador Orlando Perri e colocá-lo sob suspeita, afastando-o das investigações.
“Eles acoplaram um equipamento de espionagem em uma farda de um policial militar para que ele conseguisse captar imagens do desembargador, ainda que soltas, ou posteriormente fragmentadas do texto. E ele iria editar e apresentar uma denuncia falando de uma suposta ilegalidade por parte do desembargador”.
A delegada ainda ressaltou que existem provas concretas disso e uma delas é a câmera escondida que está aos cuidados da Polícia Civil.
“Quando acoplaram, logo o denunciante resolveu desistir. Ele não devolveu o equipamento que permanece conosco”, ressaltou.
Diante da descoberta de que havia um plano para imputar uma falsa conduta a um desembargador do Tribunal de Justiça, a delegada Ana Cristina Feldner classificou a estratégia como um plano audacioso conduzido por pessoas sem limites éticos e morais.
“Em um primeiro momento, ele havia sido cooptado para passar informações privilegiadas e assim retardar os atos das investigações. Em um segundo momento, a audácia foi crescendo, e se chegou a esse plano de colocar esse equipamento de espionagem. E ao chegar nesse momento, quando ele percebeu a gravidade disso tudo – de se fazer uma denuncia falsa contra o desembargador, ele percebeu que não estava no rumo certo”, relatou Ana Cristina.
De acordo com relatos do inquérito, o tenente coronel José Henrique Soares o policial militar entrou em contato com a Polícia Civil para prestar depoimento. As revelações que atingem diretamente membros do primeiro escalão do governo do Estado foi dado nos dias nos dias 16, 18 e 22 deste mês.
“O tenente-coronel não chegou a fazer [as imagens]. Ele foi cooptado, coagido e teve, inclusive, ameaça de vida contra ele, contra a familiares. Porque ele era uma pessoa que tinha acesso às informações”, explicou Ana Cristina.
Ela asseverou que a postura adotada pelo suposto grupo criminoso representa um atentado à democracia e afirmou que o caso precisa de respostas.
“Isso é muito sério. É um atentado contra a Justiça, algo inaceitável, realmente. Uma investigação tem que ser conduzida de forma imparcial. A sociedade tem que saber o que aconteceu. É um direito da sociedade e um dever do Estado, de investigar. Atitudes como essa são mais que criminosas, são desprovidas de qualquer ética e moral”.
Ainda de acordo com Feldner, outras pessoas estão envolvidas no caso. Ela declarou que outras conduções e prisões podem ocorrer.
“Ainda que sejam pessoas que não participam ativamente da organização criminosa, mas que sejam simpatizantes e amigos de quem participa e que, de alguma forma, tentar colaborar ou ajudar com a ação e dificultando a investigação. Se for o caso, não hesitaremos em pedir novas preventivas”.