A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, determinou que o áudio de 1 hora e 24 minutos, gravado pelo pelo ex-secretário de Indústria e Comércio do Estado Alan Zanatta, sem que o ex-chefe de gabinete Silvio César Corrêa soubesse, passe por uma perícia técnica para saber se o áudio foi editado ou alterado. A petição solicitando a perícia foi assinada no último dia 21 de setembro pela própria Dodge.
O áudio foi apreendido na casa do prefeito Emanuel Pinheiro (PMDB), durante a 12ª fase da Operação Ararath, denominada “Malebolge”. Durante a gravação, Silvio Corrêa citou indícios de omissão de informações sobre práticas de crimes no processo de negociação do acordo com o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.
Este seria o segundo acordo de delação de Janot que fica sob suspeita. Antes, o acordo de delação premiada da JBS que afetou dezenas de políticos, incluindo o presidente da República, Michel Temer (PMDB), foi suspenso e resultou nas prisões de Joesley Batista e Ricardo Saud.
A gravação foi feita em 28 de agosto, durante um encontro entre Zanatta e Corrêa, que se encontra em prisão domiciliar desde a homologação da delação pelo ministro do STF Luiz Fux. Durante o áudio, Silvio Corrêa diz que o valor que teria de devolver aos cofres públicos, cerca de R$ 500 mil, seria pago por Silval Barbosa, diferentemente do que consta no acordo de delação.
O delator também assume ser dono de um garimpo, que ocultou da PGR. “O momento é… complicado para todo mundo (…) mas, também acho que ele não tem essa mobilidade que ele tinha antigamente. Mas pelo menos tô com um garimpo né”, diz trecho do áudio.
O delator ainda afirma que falou em sua delação “coisas que quis”. “Só isso, só isso e falei algumas coisas que eu quis. Só.”
A defesa do delator Silvio Cezar Correa Araújo, ex-chefe de gabinete de Silval Barbosa (PMDB), levantou suspeitas sobre o áudio gravado por Zanatta. “Em nenhum momento o colaborador Silvio afirma que elas estão fora de contexto, pois quem menciona isso é o próprio Alan Zanatta, na frustrada tentativa de a qualquer custo produzir prova supostamente no interesse da defesa de Emanuel Pinheiro”, diz trecho da nota. “Trata-se de nítido caso de pagamento de propina ao então deputado Emanuel Pinheiro (atual prefeito) e aos demais deputados que compareciam para receber propina em uma verdadeira fila indiana”, completa.
A gravação ocorreu no último dia 28 de agosto, e foi feita pelo o ex-secretário de Indústria e Comercio, Alan Zanatta, sem Silvio saber. O encontro teria ocorrido após o delator ter insistido muito para encontrar Zanatta e pedir ajuda financeira.