"> Pedro Nadaf diz que delegado “antecipou” prisões e que policial civil avisou irmão de ex-governador – CanalMT
Reprodução

Pedro Nadaf diz que delegado “antecipou” prisões e que policial civil avisou irmão de ex-governador

Rafael Costa DC

Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) no dia 12 de janeiro deste ano, o ex-secretário de Estado Pedro Nadaf confirmou a procuradora da República Vanessa Christina Marconi Zago que tinha conhecimento prévio de sua prisão preventiva cumprida no dia 15 de setembro de 2015 pela Delegacia Fazendária da Polícia Civil, data em que foi deflagrada a primeira fase da Operação Sodoma.

A informação antecipada de sua prisão foi dada pelo ex-diretor geral da Polícia Civil, o delegado já aposentado Anderson Aparecido dos Anjos Garcia. Um policial lotado no setor de inteligência da Polícia Civil, cujo nome não foi revelado, também repassou informações privilegiadas ao empresário Antônio Barbosa, conhecido como Toninho Barbosa, irmão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB).

De acordo com o depoimento, Nadaf revelou que foi informado pelo ex-governador Silval Barbosa que ambos estavam sendo investigados e tinha a suspeita de que o empresário João Batista Rosa estaria prestando depoimento na Polícia Civil ou firmando colaboração premiada.

A primeira fase da Operação Sodoma da Polícia Civil se concentrou em investigar um esquema de cobrança de propina para concessão de incentivos fiscais a empresas privadas. Rosa confessou o pagamento de R$ 2,5 milhões para ter suas empresas, pertencentes ao grupo Tractor Parts, incluídas no Prodeic (Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial).

O ex-governador revelou a Nadaf que a informação foi repassada pelo seu irmão Toninho Barbosa, através de um informante que trabalhava na Polícia Civil e lhe devia um favor de gratidão, pois Toninho Barbosa havia auxiliado no tratamento de doença de sua esposa.

O policial civil que repassou as informações trabalhava no setor de Inteligência, mas, posteriormente, foi removido da equipe pela suspeita de vazamento de informações.

Silval Barbosa já sabia no mês de agosto, ou seja, um mês antes da operação policial, que estava com o telefone grampeado juntamente com o ex-secretário de Fazenda Marcel de Cursi. No entanto, o ex-governador acreditava que se tratava de uma investigação referente à sua relação com a JBS Friboi.

No dia 5 de agosto de 2015, ou seja, 10 dias antes de ser deflagrada a Operação Sodoma, Nadaf revelou que recebeu uma informação via Whatsapp do ex-secretário Marcel de Cursi, requerendo um encontro com urgência.

Ambos se encontraram em uma praça localizada no bairro Shangrila em Cuiabá. Naquela ocasião, Marcel de Cursi disse que foi informado por um funcionário da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) que já havia mandado de prisão contra ele, Nadaf e Silval Barbosa.

A partir daí, Nadaf entrou em contato com o ex-diretor geral da Polícia Civil, Anderson Garcia. Em um encontro na sede da Academia da Polícia Civil no dia 14 de setembro, um dia antes da operação policial, ambos tiveram uma conversa de três minutos e o delegado disse: “você é um investigado, você é um enrolado”.

Consciente de que estava na iminência de ser preso, Nadaf disse que após essa conversa dormiu por 10 dias seguidos no município de Chapada dos Guimarães.

A suspeita de que o delegado Anderson Garcia tenha vazado a operação policial aumentou por meio das perícias técnicas feitas no aparelho celular de Pedro Nadaf.

Isso porque, às vésperas da Operação Sodoma, no dia 14 de setembro, a perícia identificou que Nadaf manteve conversas via Whatsapp, aplicativo de mensagens disponíveis em smartphones, com um contato de sua agenda telefônica identificado como “Anderson-PC”.

Na conversa, o delegado marca um encontro com Nadaf na sede da Academia de Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso no período da tarde, no mesmo dia.

O que chamou a atenção na investigação é que, durante a conversa, Nadaf informou que compareceria ao local com o aparelho celular desligado, o que em tese dificulta seu monitoramento numa eventual interceptação.

Além disso, a conversa foi excluída de seu aparelho celular, revelando assim a intenção de manter o diálogo às escondidas.

“Frise-se que na conversa Pedro Nadaf diz para Anderson que: vou inclusive com este desligado, ou seja, informando que desligaria seu aparelho celular, pois o aparelho celular desligado não é possível identificar a localização através das erb’s, mostrando que ele não queria que tal encontro fosse descoberto. Compete observar que esta conversa foi excluída do aparelho celular, mostrando a intenção de ocultar este diálogo”, diz o relatório.


O que achou desta matéria? Dê sua nota!:

0 votes, 0 avg. rating

Compartilhar:

Deixe uma resposta