Não é bom misturar dois temas no mesmo artigo, recomenda a boa prática jornalística. Mas, para não perder o momento (timing, como querem os apaixonados pela língua inglesa) arrisco logo três.
Começa o período eleitoral mais uma vez com a intensa movimentação dos políticos na formação das alianças e conchavos. As acusações recíprocas são muitas nessa fase, principalmente falando de traições, descumprimentos de acordos e retirada de apoios prometidos em outras eleições.
Claro que não se fala mais de ideologias, posto que elas ,para o bem ou para o mal, não existem mais. No limite, hoje o destemperado Bolsonaro poderia aliar-se à insossa Marina Silva.
É hora de exercitar a paciência para escutar as repetidas cantilenas, o mesmo palavrório vazio e as recorrentes de expressões batidas.
Os chavões, nos próximos meses, frequentarão jornais, rádios, televisões e comícios. Ouviremos exortações e declarações com ares de novidade sobre o “voto consciente”, “o povo no poder” “campanha propositiva”, “musculatura política” “desapego ao poder”, “nenhuma vaidade me move”, “sagrado direito do voto”, “contribuir com a sociedade”, “ o povo é sábio” “declinar” “desserviço” “inverdade” e outras construções retóricas de péssimo gosto, muito caras dos políticos.
O segundo assunto é a greve dos professores aqui do Estado. Na terça passada (26/07), reuniram-se, para tentar mais uma vez interromper o movimento o Governo do Estado, o Ministério Público e os professores, no momento em que a paralisação já chegava a quase 60 dias.
A imprensa divulgou que o sindicato da categoria (Sintep) iria manifestar-se, na próxima semana (esta) , sobre a nova proposta apresentada. Vê-se que eles não têm pressa: uma semana para responder. Se aceitarem, por certo, pedirão mais uns dez dias para voltarem ao trabalho, afinal eles precisam de tempo para preparar as aulas.
Na sexta-feira (29/07) houve uma decisão do STF determinando a volta dos professores ao trabalho no dia 1º de agosto. O presidente do Sintep, mesmo antes de ser notificado já garantiu que a justiça “não pauta a decisão dos professores” e que não obedecerão a ordem do Supremo.
Segundo o site Globo.com, que pesquisou os salários dos professores em todos os estados brasileiros em 2015, Mato Grosso remunera muito bem seus profissionais. Só Mato Grosso do Sul e Distrito Federal pagam mais ( MS R$ 3.994; DF R$ 3.858 e MT R$ 3.802. Cálculo baseado em 40 horas semanais.)
Em Santa Catarina, conforme mesma fonte o salário é de R$ 1.917,00. Essa pesquisa parece reafirmar o caráter político da greve aqui no estado. O terceiro tema é o fiasco do ex-senador Eduardo Suplicy.
Reeditando o famoso Dom Quixote de La Mancha, que se metia nas mais extravagantes aventuras sempre levando desvantagem, o cândido político paulista resolveu impedir uma reintegração de posse determinada pela justiça em São Paulo, deitando no meio da rua para atrapalhar o trabalho da Polícia Militar.
Como o “Cavaleiro da Triste Figura”, expôs-se ao ridículo sendo transportado pelos policiais, sem violência é bom dizer, carregado pelos braços e pelas pernas por quatro homens, como um quadrúpede inofensivo que está atrapalhando a passagem.
“Deu ruim” Senador, como dizem agora. Se a ideia era criar um fato que ajudasse na campanha para vereador que está fazendo, o tiro saiu pela culatra.
RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor.