"> O não democrático – CanalMT

O não democrático

A democracia é o objeto de desejo de todos os povos. Pelo menos é isso que se deduz, e não deveria ser de outro modo, diante dos mais variados discursos – pronunciados nos mais diversos idiomas.

O viver democrático, porém, não é tarefa fácil. Requer tolerância, prudência e respeito. Tripé que se constrói cotidianamente, e na comunhão de todos os integrantes da sociedade, com os tijolinhos da pluralidade assentados sob a argamassa da liberdade.

Entende-se, então, o porquê a democracia permite, e bem mais do que isso, estimula as pessoas a se manifestarem. E este manifestar é político, uma vez que se materializa no expressar-se e no posicionar-se diante das situações presenciadas.

É neste roteiro que deve entender e analisar a importância dos movimentos populares, das passeatas em favor ou contra alguma coisa.

O manifestar-se, contudo, não é tomar para si o direito de agredir a outrem. Tampouco invadir e depredar o patrimônio público.

É neste particular que peca grosseiramente o MST.  O MST, assim como todo o grupo em manifestação carece sobremaneira do apoio e da solidariedade daqueles que estão alheios à sua causa.

Apoio e solidariedade que são conquistados pelo discurso e pela fundamentação do que se reivindica, não por meio da força.

A violência, o quebra-quebra e a depredação devem ser tratados como crimes, e para impedir estes mesmos crimes, além de outros, é imprescindível a ação da polícia.

Estes crimes, por outro lado, descaracterizam quaisquer movimentos sociais, quaisquer manifestações populares.

E, o que é pior, destrói toda a plataforma de reivindicações.

Percebe-se, (e) leitor, o erro de alguns grupos em manifestação. Mais claramente o MST. Este, nos últimos anos, perdeu sua identidade, seu caráter de quando foi criado, e assumiu um comportamento e/ou causa que nada tem a ver com a sua própria história.

Uma história que é a mesma de tantos outros grupos, existentes ao longo dos tempos, que surgiram em razão da necessidade de sobreviverem do que podem produzir com a terra.

Uma luta que ocupa parte preciosa das páginas da história do Brasil, bem como a de tantos outros países, e ainda nem se pensava na criação do MST.

Por aqui, por exemplo, foi e continua intensa a briga dos posseiros, daqueles que já se encontram na terra, mas sempre a mercê ou vítimas das circunstâncias ou de interesses de latifundiários ajudados por braços políticos e do Estado.

E não foram poucos os casos em que posseiros, ‘sem-terras‘ e trabalhadores rurais foram impiedosamente perseguidos e massacrados. Casos que muitas vezes foram escamoteados por agentes do próprio Estado e por vários dos que se colocaram a descrever as estampas fotográficas históricas mato-grossenses.

Tais casos não ocorreram apenas durante a chamada Primeira República (1889-1930), mas também nas demais fases republicanas do país, e continuam ocorrendo nos dias atuais.

Percebe-se, portanto, que a luta pela terra é política. Mas ela não deve ser necessariamente político-partidária, ou a favor de um ou outro governo.

Ela é isto sim, uma luta por justiça, dentro dos moldes democráticos.

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e analista político em Cuiabá.

lou.alves@uol.com.br


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