O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) teria recebido mais de R$ 10 milhões em dinheiro vivo de propina do empresário Willians Mirschur, proprietário da Consignum, para a empresa manter contrato junto ao Estado. A informação consta na denúncia que o Ministério Público do Estado (MPE) enviou à Justiça na Operação Sodoma, que teve sua terceira fase deflagrada nesta segunda-feira.
O valor da propina recebida por Silval foi revelada pelo ex-secretário de Estado de Administração, César Zílio. Preso na segunda fase da Sodoma, Zílio revelou todo o esquema liderado por Silval em seu delação. Segundo ele, a Consignum repassou mais de R$ 17 milhões em propina ao grupo do ex-governador do PMDB. R$ 7 milhões foram distribuídos entre a quadrilha e o restante teria ficado com Silval.
O ex-secretário de Administração, que também participou do esquema de corrupção, revelou à Polícia Civil que ele mesmo recebia a propina do empresário e leva para o gabinete do ex-governador após o expediente em uma sacola plastica. Segundo Zílio, o dinheiro era deixado no banheiro do gabinete de Silval.
Zílio contou ainda que, ao assumir a Secretaria de Administração em janeiro de 2011, o ex-governador Silval Barbosa o convocou para participar de uma reunião no gabinete e o orientou a cobrar propina para que o empresário Wilians Paulo Mirschur mantivesse contrato de intermediação de empréstimos para servidores públicos ativos e inativos do Estado.
O intuito seria arrecadar o dinheiro para quitar dívidas de campanha eleitoral. “O argumento é de que o empresário precisava ajudar no pagamento das dívidas da campanha eleitoral para governador de 2010. Seguindo a determinação do líder da organização criminosa, solicitou a presença do empresário na sede da SAD e, em seu gabinete, falando em nome do então governador, condicionou a continuidade dos serviços executados pela Consignum ao pagamento mensal de vantagem indevida, justificando a exigência para saldar dívidas de campanha”, completa.
O ex-chefe da SAD detalhou que somente após dois encontros ficou definido que a propina chegaria até a R$ 700 mil com base no faturamento mensal da Consignum. “No primeiro contato não foi fixado o valor do pagamento mensal, o que só ocorreu no segundo encontro, também realizado no gabinete de Zílio. Na conversa, ardilosamente César afirmou que tinha conhecimento do faturamento mensal da empresa e, pelas contas que havia efetuado, para que o seu contrato fosse aditado e mantida a prestação de serviço ao Estado, deveria pagar mensalmente a importância de R$ 700 mil quando Willians, sem alternativa, apresentou a contraproposta de pagar R$ 300 mil culminando as tratativas com a fixação do valor mínimo de R$ 500 mil proporcional ao faturamento mensal e, desta forma, poderia variar entre R$ 500 mil a R$ 700 mil”, revelou.
O MPE ainda destaca que os aliados de Silval buscaram “sufocar” o empresário, já que o contrato estava encerrando e só poderia ser prorrogado mediante o “acordo”. Também foi destacado que a Consignum não recebe diretamente do Estado e que sua remuneração é feita por bancos conforme o volume de empréstimos por parte dos servidores, mês a mês.
O esquema levou para cadeia Silval, o seu filho Rodrigo Barbosa, os ex-secretários Pedro Nadaf, César, Pedro Elias Domingos e Marcel de Cursi.