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Interesses

A contradição faz parte do jogo político. Afinal, o próprio discurso político torna-se um lugar do jogo de máscaras. Neste, tanto quanto naquele, que por sinal são um só, a palavra jamais deve ser entendida ao pé da letra, mas como estratégia.

Pois se sabe que o fato – no dito jogo – sempre é substituído por sua versão, e o convencimento pela persuasão. É a partir daqui que se deve iniciar a discussão sobre a saída do PMDB da base do governo Dilma Rousseff.

Enfim, os peemedebistas pularam do barco já a deriva. Mas, então, o porquê o presidente da sigla continua, e deve continuar na vice-presidência da República. Ah! O vice-presidente foi eleito, ao contrário dos demais peemedebistas no governo, os quais foram indicados e nomeados. Uma boa resposta.

Mas essa boa resposta não elimina a contradição da situação criada e em que se encontra o partido, nem absolve o vice-presidente de ter desrespeitado a sua obrigação institucional ao articular a saída de sua agremiação da base do governo – atacando assim a ética, a moral e a confiabilidade.

A boa resposta, por outro lado, não esconde o interesse particular de o Michel Temer e do PMDB em se declararem fora do governo. Interesse que não é outra coisa, senão a ambição política por espaço e por fator eleitoral.

A mesma ambição que, aliás, tenta esconder o ex-governador, agora senador Blairo Maggi ao se posicionar a favor do impeachment.

Ele procurou explicar esta sua nova posição em um belo artigo publicado em A Gazeta (29/03), no qual chama atenção de seu (e) leitor sobre a legalidade, legitimidade e a respeito das dificuldades econômicas da sociedade e do país. Isto para justificar sua decisão.

Por traz dessas belas palavras, contudo, encontram-se – claro – seus próprios interesses, em especial o eleitoral.

Igual interesse do vice-governador ao controlar e ao tornar governista o PSD/MT. Mesmo ao som do discurso de refundar o partido, de transformá-lo em um time e de reorganizá-lo ao signo do ‘novo jeito de se fazer política’.

Na verdade, o objetivo é bem outro. Bastante distinto do apresentado por Carlos Fávaro. Também em um bom artigo, de Blairo Maggi, cujo tema é bem outro, mas ambos se conectam por igual interesse.

Interesse que, aliás, é o mesmo do PMDB nessa sua suposta autolibertação do Governo Dilma Rousseff. Autolibertação, porém não aceita por alguns de seus membros que se encontram na chefia de ministérios.

E isto sustenta a afirmação do senador Roberto Requião (PMDB/PR) de que a saída do PMDB do governo ‘foi uma farsa’. Isto porque o partido não explicou o porquê de tal saída, nem tem um programa de governo, uma vez que a ‘Ponte para o futuro’ não foi discutido pelo partido peemedebista. Identifica-se, aqui, a divisão na sigla.

A mesma que deve prevalecer também na votação do impeachment em plenário da Câmara Federal. É isso.

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e analista político.

lou.alves@uol.com.br


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